A dobradinha de Lula e Nikolas para manter tudo como está
Na falta de realizações e programa de governo; na falta de um projeto de médio e longo prazos para o Brasil, investem na cisão
Não, meus caros. Não é só na hora de aumentar salários e benefícios; propor e aprovar leis para proteger bandidos de estimação; criar e aumentar impostos e transformar todo o dinheiro de nós surrupiado em fundo eleitoral, fundo partidário e emendas parlamentares, que lulopetistas e bolsonaristas se unem.
Se na hora do cafezinho no Congresso e dos churrascos em suas cidades e estados essa gente se frequenta e se adula, longe dos holofotes, nos palanques eleitorais e nos discursos eleitoreiros, é que caminham juntos também. “Tá doido, Ricardo, os caras se odeiam?”. Sim. Em alguns casos, é verdade. Mas e daí?
O “ódio”, muito mais que, neste caso, um sentimento sincero e legítimo, é apenas parte de um modus operandi pra lá de velho e conhecido – e extremamente eficaz: dividir para conquistar. Lula, ao criar o insuportável “nós x eles”, na campanha de 2002, sabia o que estava fazendo. Aécio Neves, em 2014, também.
Operando no caos
De lá para cá, a política brasileira, que já era péssima, tornou-se ainda pior. Além de corruptos, corporativistas e fisiologistas espalhados por todos os partidos, municípios, estados e União, sedentos por dinheiro e poder, completamente descolados da realidade do país, uma turba tosca, agressiva e barulhenta assumiu o controle.
Com o advento da internet e a onipresença das redes sociais, gente sem o menor quilate intelectual e a menor condição de cuidar da própria casa ascendeu aos poderes e tomou o debate político de assalto. Hoje, políticas públicas não importam, e apenas a ideologia e o combate feroz ao lado oposto interessam.
O país, é claro, encontra-se aprisionado neste MMA político, e não só não decola – como nunca decolou – como se afunda cada vez mais. Para além das questões de ordem social e econômica (analfabetismo funcional, saneamento básico, falta de saúde, educação e segurança públicas, déficit fiscal, juros etc.), temos também a hecatombe das instituições.
Quanto pior, melhor
Ao aparelharem as castas dos três Poderes, lulopetistas – há mais tempo – e bolsonaristas – há menos tempo – levaram um mar de lama para os gabinetes decisórios. Presidentes da República presos, governadores presos, ministros do STF flagrados em escândalos que fariam qualquer república bananeira colapsar são casos frequentes e relativizados.
O tal sistema cresceu tanto e se apoderou tanto, que se tornou inquebrável e indestrutível. Como quem dele se alimenta vai muito bem, obrigado – perguntem aos tubarões do mercado financeiro e empresarial e aos líderes políticos se estão insatisfeitos -, resta à plebe o custeio da festa em troca de diversão garantida nas redes sociais.
Para tanto, o picadeiro deve ser ocupado por quem sabe distrair e alegrar a patuleia. Políticos profissionais tomam conta do show e fazem dele um atrativo palco de catarse coletiva, onde ódios, frustrações e rancor se voltam contra quem os destila. Não se enganem: quanto mais nos odiamos, mais nos divertimos.
Guerra é guerra
Neste sábado, 7, Lula, em mais um comício eleitoral disfarçado de ato público – campanha política extemporânea, ou seja, ilegal -, obviamente pago pelos otários aqui, avisou: “Eles são desaforados e nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem essa mais de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra, e nós vamos ter que estar preparados.”
Na falta de realizações e programa de governo; na falta de um projeto de médio e longo prazos para o Brasil, Lula investe na cisão, como sempre fez, para desgovernar o país pela quarta vez, mantendo seu partido, o PT, no comando pela sexta vez nas últimas dez eleições, vendendo ao povo que a “esperança vencerá o medo”.
Como de bobo o bolsonarismo não tem nada, ainda que um bando de aloprados – graças a Deus, parte na cadeia -, Nikolas Ferreira, a maior expressão de tudo o que não presta na política, partiu para o confronto e para a mobilização polarizadora, que igualmente o desobriga de apresentar algo que nos leve adiante. Aliás, coisa que jamais fez.
Museu de grandes novidades
“Tá nervoso, larápio? Calma que vamos com tudo para cima de você”, escreveu o messiânico. Nikolas, como maior expoente do bolsonarismo nos dias atuais, o que causa profunda inveja, medo e rancor no clã das rachadinhas e das mansões milionárias compradas com dinheiro vivo, assume a liderança no combate ao lulopetismo.
A pouco mais de meio ano das eleições, já sabemos que nada de novo e de positivo nos será proposto. Ao contrário. Políticos e partidos de centro, dispostos a debater política civilizadamente e pensar o país, serão taxados como fracos e eliminados fragorosamente do debate, ou melhor, do embate público: “Isentões, go home!”
O resultado já sabemos e conhecemos de cor. Não é à toa que Valdemar Costa Neto, Lula, Renan Calheiros e outros ainda existem após décadas de política. Bem como, daqui 30 ou 40 anos, Nikolas, Janones e companhia igualmente lá estarão, comandando o poço de miséria social, intelectual e econômica que é – e para sempre será! – o Brasil.
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Comentários (1)
Paulo Ricardo Chagas Meksraitis
09.02.2026 09:26Credo!!!! Ricardo, falas sempre a verdade!! Mas ler tua análise é sempre apavorante, mesmo que qualquer pessoa esclarecida já saiba tudo de cor e salteado, rsrs. Como o brasileiro escolhe péssimamente! Mas és o mais verdadeiro dos jornalistas e analistas, mas ler isso é deprimente. Nenhuma luz no fim do tunel.