A era do PT acabou, diz Flávio. E agora? 

06.10.2026

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O Antagonista
A era do PT acabou, diz Flávio. E agora? 
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Carlos Graieb
5 minutos de leitura 05.10.2026 15:58 comentários
Análise

A era do PT acabou, diz Flávio. E agora? 

Se o antipetismo funciona como motivação para inúmeros eleitores, o que acontece quando ele sai da equação?

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Carlos Graieb
5 minutos de leitura 05.10.2026 15:58 comentários 1
A era do PT acabou, diz Flávio. E agora? 
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro comemorou seu resultado nas eleições deste domingo dizendo que “a era do PT acabou”.

Ele provavelmente está certo. 

Lula saiu do primeiro turno em desvantagem e terá dificuldade em reverter a situação.

Para tanto, precisa atrair às urnas uma parcela dos 24% de eleitores que se abstiveram, um recorde.

Ou conquistar um grande número dos 8% de votos que couberam a Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

Isso implica despertar entusiasmo em gente que não vê um bom motivo para reelegê-lo. Ou então fomentar o medo – fazer de Flávio Bolsonaro um bicho-papão.

Os eleitores desaprovam o governo Lula 3, como as pesquisas já vinham mostrando e as urnas confirmaram. 

Nem mesmo 320 bilhões de reais despejados em projetos com um claro componente eleitoreiro, neste ano de 2026, mudaram a situação. 

A fórmula petista esgotou sua eficácia.  

Sendo derrotado agora, é difícil imaginar que Lula faça uma nova tentativa em 2030, na passagem de 84 para 85 anos de idade.

Sem a sua grande figura carismática, o PT não tem a mesma força eleitoral. É apenas um partido com ideias velhas. 

A pergunta interessante é como a política brasileira pode se reorganizar nessa era pós-Lula. O próprio bolsonarismo deveria se dedicar a esse exercício de imaginação. 

O antipetismo tem funcionado como uma poderosa motivação para inúmeros eleitores. Uma parte significativa dos votos recebidos por Flávio Bolsonaro se deve a ele, mais do que aos encantos do senador. 

Eliminado esse fator da equação eleitoral, o que acontece? 

O bolsonarismo é a força dominante da direita brasileira e tem conseguido sufocar ou bloquear alternativas no seu próprio campo. 

Tarcísio de Freitas, por exemplo, desistiu de concorrer à presidência em 2026 porque sofreria um bombardeio inclemente dos seguidores de Jair. Disputou a reeleição ao governo de São Paulo e conseguiu uma vitória extraordinária, com 62,6% dos votos no primeiro turno. Ainda assim, seu futuro está ligado às vontades de seu padrinho político. 

Mas a direita não é monolítica. 

O caso óbvio é o partido Missão, de Renan Santos, que rejeita explicitamente o bolsonarismo. A legenda ficou aquém das próprias metas neste domingo, mas tem militância, sabe usar as redes sociais e mira o longo prazo. 

Há também um personagem como Nikolas Ferreira. Ele não bate de frente com o bolsonarismo, mas tem capital político suficiente para não ter de demonstrar submissão. Conquistou a maior votação da história na disputa pela Câmara dos Deputados, com mais  de 3 milhões de votos. Além disso, exerce liderança sobre um grupo de jovens políticos igualmente bem votados, como Lucas Pavanato, que também superou a barreira dos 3 milhões em São Paulo. 

Se o eventual governo de Flávio Bolsonaro começar a naufragar, pode ver a autoridade do bolsonarismo confrontada dentro da própria direita. 

Será acusado de abrir caminho para mais uma ressurreição petista. Seria a segunda vez: depois dos desastres da pandemia, Jair Bolsonaro devolveu o poder a Lula em 2022 (embora tenha sonhado em não fazê-lo, convidando os militares para uma aventura). 

Ao contrário de seu pai, que chegou ao poder sem base parlamentar, Flávio terá condição de implementar projetos desde o início do mandato, caso se confirme sua vitória. 

Na Câmara, a direita terá nada menos que 260 deputados federais. No Senado, serão 48 assentos. Considerando-se as bancadas de partidos centro-direita, os números podem chegar a 340 deputados e 56 senadores.

Essa força pode ser desperdiçada ou aplicada a problemas reais, que precisam tratamento urgente. A começar pela questão fiscal.

Embora Lula insista em não reconhecer essa verdade, o modelo econômico petista, baseado na inclusão pelo consumo e no desenvolvimento induzido pelos gastos do governo, encontrou seu limite estrutural na trajetória insustentável da dívida pública. Ela impede que os juros de curto e longo prazos caiam. No dia a dia, isso se traduz em famílias endividadas e poder de compra que ainda não voltou aos níveis de antes da pandemia.

Mas um modelo liberal de economia também não pode conviver com juros tão altos – não há iniciativa privada que sobreviva a isso. O ajuste fiscal terá de ser feito. 

Conselheiros econômicos de Flávio Bolsonaro já disseram que pretendem arrumar a economia em 18 meses, fazendo os sacrifícios necessários. Será? Os sinais da campanha são opacos. Seria bom ter mais clareza antes do segundo turno, sobre esse e outros pontos do programa de governo.

O fim da era petista não é um objetivo por si só. O Brasil precisa de mais.

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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Comentários (1)

Joaquim Duran

05.10.2026 16:39

Muito mais.


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