Depois do Supremo, a CBF que aguarde: Gilmar Mendes está na área
Sim. Perdemos a Copa e voltamos para casa. Mas Gilmarzão gostou da performance da Seleção. Como diria Michel Temer: “Tem de manter isso aí”
Gilmar Mendes não perde uma mísera oportunidade de ficar calado e, como dizem os jovens, “causar”. Não raro, escolhe o lado errado e abraça – como tamanduá-bandeira – pautas que são claramente antiéticas ou mesmo imorais, para não dizer ilegais, ao menos sob a ótica leiga da opinião pública.
Escrevi recentemente neste mesmo O Antagonista sobre a eliminação do Brasil na Copa do Mundo após o jogo contra a Noruega, e, no texto, resvalei em Gilmar Mendes, lembrando que até mesmo na CBF o ministro conseguiu colocar suas digitais. Sim, caro leitor. Nem a Seleção Brasileira escapou.
Matérias publicadas revelaram uma situação que, em qualquer país menos bananeiro, seria inaceitável. O filho de um ministro do STF circulando nos bastidores da entidade máxima do futebol brasileiro, participando de conversas, acompanhando decisões e sendo tratado como manda-chuva em uma instituição privada bilionária.
Tá com tudo e não tá prosa
Francisco Mendes não é um jogador. Não é um técnico campeão do mundo. Não revelou nenhum craque. Não descobriu o novo Pelé jogando bola numa várzea qualquer. É tão somente filho de Gilmar Mendes. Mas, no Brasil de hoje, isso equivale a um popstar global. Afinal, quem é besta de se meter – a besta! – com Gilmarzão?
Pois bem. Nesta terça-feira, 7, o todo-poderoso Gilmar resolveu lembrar o país de sua nova faceta: comentarista esportivo. Publicou uma mensagem em sua rede social defendendo Neymar, elogiando a Seleção e pedindo a continuidade do treinador Carlo Ancelotti. Escreveu o ministro – ministro? – no X:
“Obrigado, Seleção Brasileira! Parabéns a todos os jogadores, titulares e reservas, que defenderam nossa camisa com dedicação e talento. Neymar, mais uma vez, mostrou por que é um dos maiores da história. Que venha 2030! Que a CBF mantenha o trabalho de Carlo Ancelotti.”
Te cuida, CBF
Bem, pelo visto o italiano está garantido por mais quatro anos. Comparando-se com o padrão do Supremo, até que está bom. Poderia ser 40, como o amigão de fé, irmão camarada de Gilmar, o felizardo ex-dono de resort vendido a banqueiro trambiqueiro bilionário, hoje passando uma temporada na tranca.
Um juiz não precisa apenas ser imparcial. Precisa parecer imparcial. Em Banânia, além de não sê-lo, criamos uma categoria inédita no direito mundial: o ministro empreendedor, articulador, palestrante, comentarista público do trabalho dos colegas, conselheiro informal de poderosos e, agora, pitaqueiro oficial da bola.
Sim. Perdemos a Copa e voltamos para casa. Mas alguns continuam jogando. Antigamente, o som do Mineirão costumava anunciar: “Ademg informa: substituição no Atlético. Sai Reinaldo, entra Fernando Roberto”. Então. A CBF informa: “Gilmar Mendes gostou da performance da Seleção“. Como diria Michel Temer: “Tem de manter isso aí.”
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Comentários (1)
Helio Silveira Martins
07.07.2026 17:57Grande Ricardo! Na mosca!