Dino e Gilmar esculhambaram a eleição
Ministros aliados de Lula colocaram o STF na posição de candidato nesta eleição, e não estão dando motivos para os eleitores votarem nele
Ao longo de toda a campanha presidencial de primeiro turno, alimentou-se a esperança de que haveria ao menos um debate com todos os principais candidatos. Na última hora, apesar de todo o desespero demonstrado por medidas eleitoreiras, Lula (PT) decidiu não aparecer.
Mas o petista não estava disposto nem sequer a se expor às consequências de seus atos. Sua campanha foi pedir à ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o púlpito vazio do petista não fosse exibido, e que ele não pudesse ser questionado pelos adversário, porque, quem diria, não estaria lá para responder. A ministra, que já pediu voto para Lula, atendeu a tudo.
Pior ainda fez o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que passou por cima de decisões do TSE e do próprio STF, dos colegas Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia, para forçar a participação de Renan Santos (Missão) no debate, com mais uma gambiarra suprema.
A confusão foi tanta que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se retirou do debate e a TV Globo cancelou tudo.
Leia mais: E a Justiça criou o caos…
Esculhambação
Ao lado de Flávio Dino, Gilmar esculhambou o processo eleitoral como nunca antes na história recente deste país, e sob a alegação de proteger a eleição de interferência de seus colegas de STF.
Gilmar chegou a chamar André Mendonça de “pixuleco eleitoral”, por ousar expor as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao colega Alexandre de Moraes. Foi naquela sessão de 15 de setembro do Supremo que a atuação eleitoral de Dino e Gilmar ficou mais clara.
O decano do STF endossou o reajuste eleitoreiro do Bolsa Família por meio de uma das várias gambiarras judiciais sacadas nesta campanha, passando por cima do TSE.
Dino já tinha cancelado a decisão de Mendonça para afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, e depois cancelou também a decisão que proibia fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, que os lulistas ainda sustentam cinicamente que se tratam de verdades.
Dias depois, recebeu telefonema de Lula no palanque e determinou a abertura de uma investigação com base em fake news para manter viva a mentira sobre Nossa Senhora Aparecida.
E, mesmo após Luiz Fux derrubar sua decisão de permitir a circulação de fake news, o ministro reafirmou que está aberto para receber questionamentos sobre decisões do TSE.
Em meio a tudo isso, o máximo que eles podem argumentar de favorecimento a Flávio foi a suspensão de pesquisa AtlasIntel por Nunes Marques, porque o resto das decisões do presidente do TSE e de Mendonça se encaixa nos padrões estabelecidos pelo próprio tribunal.
Autoritarismo
O protagonismo de Moraes na eleição de 2022, como presidente do TSE, parecia insuperável. Mas Dino e Gilmar estabeleceram um novo nível de interferência, e os receios semeados pelos lulistas de autoritarismo sob um novo governo Bolsonaro simplesmente perdem o sentido.
O autoritarismo já está estabelecido no país, configurado por decisões rocambolescas de ministros do STF que perderam qualquer vergonha e também qualquer condição de se classificarem como defensores da democracia ou da República — e, no fundo, nunca tiveram essa condição.
A ironia disso tudo é que o tumulto eleitoral provocado por esses ministros pode acabar beneficiando aquele candidato que eles mais temem. Dino e Gilmar colocaram o STF na posição de candidato nesta eleição, ao lado de Lula, e não estão dando motivos para o eleitorado votar nele.
Assine Crusoé e leia mais: Cabo eleitoral supremo
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Joaquim Duran
02.10.2026 13:00Rataiada.
Annie
02.10.2026 11:55Isso que dá 20 anos do PT no comando do país vou fechar o nariz e votar no Flávio.