Eleições 2026: o circo começou
De hoje até 4 de outubro, dia do primeiro turno, e 25 de outubro, dia do segundo, o melhor a fazer é cuidar da própria vida
O início oficial da campanha eleitoral de 2026 não traz notícias alvissareiras ou mesmo a mais remota esperança de dias melhores. A data marca apenas mais um ciclo eleitoral que será atirado na lata de lixo, em que a patuleia assistirá às mais bizarras cenas de agressão, acusação, promessas vazias e lacração ideológica e identitária, protagonizadas por palhaços, ilusionistas e velhacos em busca de poder e à caça de (mais) dinheiro alheio, já que os R$ 5 bilhões de fundo eleitoral não bastam.
Entre eleitores ignorantes, cegos e fanáticos que não se importam com nada além da obediência servil ao ídolo de plantão, deixando o ódio pelo oposto e a preguiça intelectual imperarem justamente na única ocasião em que poderiam exercer domínio pleno sobre os abutres da política, há alguns poucos que dedicarão os próximos meses a tudo, menos ao debate e ao embate eleitoral. Outros, por mera resiliência e espírito de independência, insistirão em depositar seus votos – e esperança – em candidatos e causas perdidas.
Os dois principais candidatos ao Planalto são, de um lado, o mofo embolorado pelo atraso, pela ineficiência e pela corrupção e, de outro, o mesmo mofo, só que apimentado por generosas pitadas de negacionismo, autoritarismo, messianismo e cafajestagem familiar. Os demais, no gargarejo da rabeta do fim da composição, não passam de murmúrios repetidos e siameses, misturando-se e confundindo-se – ou fundindo-se – com os ecos dos mesmos vícios, discursos, cores e odores de sempre.
Fé na vida, fé no homem, fé no que não virá
Nos estados, raras as exceções, bate-paus dos de Brasília e uma horda exótica atrás dos mais de R$ 60 bilhões anuais em emendas parlamentares federais e sabe-se lá de quantos outros bilhões nas versões estaduais do mesmo butim. O tal sufrágio universal é, na verdade, o naufrágio da organização social brasuca. A prova inconteste de que, em Banânia, a tal democracia falhou miseravelmente, ainda que seja sempre infinitamente mais desejável do que qualquer aventura autoritária – bolsonarista ou não.
Aliás, falando em autoritarismo e naufrágio democrático, lembremo-nos de uma das piores semanas desde a redemocratização, quando assistimos ao todo-poderoso Xandão, em socorro ao “amigo de fé, irmão camarada” de Lula, Flávio Dino, acabar de fazer picadinho com o que sobrou daquele livrinho sujo, surrado e desrespeitado, que um dia jurou defender. O fim do sigilo da fonte é a face mais nova e aparente do fim da Carta de 1988 e, talvez, o início fático de outro fim: o da liberdade de imprensa.
De hoje até 4 de outubro, dia do primeiro turno, e 25 de outubro, dia do segundo turno, o melhor a fazer é o de sempre: cuidar da própria vida. Porque ninguém mais irá cuidar dela por você. “Nossa, Ricardo, não há nada que preste, então?”. No âmbito da organização do Estado e da tripartição dos Poderes, em todas as esferas (municipal, estadual e federal), não. Não há. O consolo – ironicamente, é claro – é que, daqui a dois anos, tem mais. E não corremos o menor risco de tudo isso mudar para melhor. Já para pior…
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Comentários (3)
Marian
16.08.2026 16:45Talvez o desenr0lar não ocorra de forma tão Dantesca, afinal ainda temos essa te linha que está na nossa frente . Podemos nos informar. É lutar para que continue assim, porque seria o fim do que resta de liberdade para o cidadão e imprensa. É isso que está em j0g0.
Pedro Boer
16.08.2026 13:08Marcelo Kertzman, a democracia é relativa.
Pedro Boer
16.08.2026 13:06O fim da liberdade de imprensa foi decretado pelo inquérito das fake-news. Os jornalistas esquerdistas acharam lindo mas, se esqueceram da frase: " Tanto vai o cântaro á "FONTE" que um dia perde a asa. A democracia é relativa como dizia o Nine ao se referir a Maduro. kkkkkkk