Fachin não precisa prometer o fim do inquérito das fake news. Precisa agir.

07.09.2026

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O Antagonista
Fachin não precisa prometer o fim do inquérito das fake news. Precisa agir.
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Wilson Lima
3 minutos de leitura 07.09.2026 10:39 comentários
Análise

Fachin não precisa prometer o fim do inquérito das fake news. Precisa agir.

Presidente do Supremo Tribunal Federal vive o dilema de agir de forma contundente ou de ser dragado pela ala Alexandrina da Corte

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Wilson Lima
3 minutos de leitura 07.09.2026 10:39 comentários 2
Fachin não precisa prometer o fim do inquérito das fake news. Precisa agir.
Foto: Gustavo Moreno/STF

Há momentos em que a história cobra das instituições menos discursos e mais decisões. O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um desses momentos.

Na sexta-feira, em meio à maior crise institucional enfrentada pela Corte em anos, o presidente do STF, Edson Fachin, disse que os acontecimentos recentes demonstram a “urgência” de três medidas: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça.

É uma declaração importante. Mas insuficiente.

Porque há uma diferença considerável entre reconhecer que algo precisa acabar e efetivamente encerrá-lo.

O surreal inquérito das fake news está em funcionamento desde março de 2019. Nasceu por iniciativa do então presidente do Supremo, Dias Toffoli, e foi entregue à relatoria de Alexandre de Moraes. Desde então, tornou-se um dos instrumentos mais controversos da história recente do tribunal.

É um procedimento excepcional, que concentrou poderes e manifestadamente ilegal. Qualquer aluno do primeiro período do curso de Direito sabe disso. Mas, até o momento, nenhum presidente do STF teve a coragem de fazer o óbvio: acabar com ele. Mas, fica a pergunta, o que ainda falta?

O inquérito já foi usado para perseguir adversários do STF, para censurar a imprensa, para quebrar sigilo da fonte e, agora, para abrir investigação contra um ministro do STF por ele ter tido a coragem de pedir uma apuração sobre a conduta de um colega.

Fachin afirmou que não haverá “precipitação, tampouco omissão” e prometeu uma resposta “firme, proporcional e rigorosa”. Também disse que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que nenhum poder está acima da lei.

Mas sem atitude, suas falas viram “palavras ao vento”.

No final de semana, o ministro Flávio Dino, que passou a ser uma espécie de porta-voz da ala Alexandrina do STF, foi às redes sociais defender o tal instrumento. E foi além ao declarar que “É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer o final de um inquérito’, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?”

Um recado claro a Fachin.

O presidente do STF, se quiser ter ainda algum tipo de poder dentro do Tribunal, precisa tomar uma atitude. O inquérito das fake news surgiu por uma decisão monocrática; seria prudente que ele fosse encerrado também por esse expediente.

Não se trata de exigir atropelo de procedimento. Trata-se de uma questão mais elementar: se a Presidência da Corte considera que o inquérito deve acabar, que o encerre segundo as regras que o próprio tribunal entende serem aplicáveis.

O presidente do STF não precisa prometer o fim do inquérito das fake news. Precisa colocar fim a ele.

A diferença entre as duas coisas pode parecer apenas semântica. No momento atual, porém, é exatamente a diferença entre discurso institucional e autoridade institucional.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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Comentários (2)

amf8118@gmail.com

07.09.2026 14:08

Fachin, nunca fui seu fã, mas acho que você é um homem honrado e não é covarde. Como afirmou Wilson Lima, é hora de agir em favor do Brasil e da Justiça. Não é amanhã ou daqui a 5 dias, é já!


amf8118@gmail.com

07.09.2026 13:07

Fachin, chegou a hora da verdade. Seu compromisso é com a Justiça, com o Brasil, com a Verdade, com a Honra e é inadiável. Pense nos seus filhos, netos e na sua família. Você não deve nada à Dilma Roussef, nem ao PT, nem ao Lula e nem aos Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Toffoli!


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