Gilmar Mendes ressuscita a “terceira via” e a joga no colo de Zema
Mais do que um candidato à Presidência, o mineiro pode se tornar aquele que, de fato, terá condições de alterar o status quo
Fico muito à vontade para criticar, com a devida contundência, assertividade e respeito institucional, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, porque, desde que eclodiu essa nova crise de imagem e, sim, de credibilidade do STF, fui – se não o primeiro – um dos que pediram, publicamente, na imprensa profissional, a saída do decano da Suprema Corte.
Com a escalada e a gravidade dos fatos subsequentes, na minha opinião – e a ela não terá Cristo que me impedirá de sustentar – não resta mais qualquer saída negociada, seja com o Congresso, com o Executivo federal ou com quem quer que seja, que passe pela manutenção não só de Gilmar Mendes no cargo, mas, igualmente, de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, como já expus, de forma clara e fundamentada, na coluna acima citada.
“Ah, Ricardo, você quer depor ministros à força?”
Bem, só quem não me conhece e não acompanha meu trabalho pode cogitar uma besteira dessas. São raros os comunicadores mineiros que tiveram a coragem e a intensidade que tive ao defender, nos jornais e nas rádios – ainda que sempre apontando excessos e arbitrariedades -, o STF e a democracia brasileira contra os movimentos golpistas do bolsonarismo radical, desde a sua origem, passando pelos atos de 8 de janeiro de 2023, até o julgamento final que condenou os “cabeças” do movimento (sem jamais deixar de reconhecer, também, as injustiças e o excesso penal aplicados contra os chamados inocentes úteis que depredaram Brasília).
O que defendo, então, como solução?
Institucionalidade, pressão pública legítima, vergonha na cara do Senado e, sobretudo, eleições consequentes e responsáveis. Ou seja, nada de eleger falsos defensores do povo, patriotas de TikTok e oportunistas profissionais que prometem uma coisa e, uma vez eleitos, ou se acovardam ou fazem exatamente o oposto, como o senador Flávio Bolsonaro, que correu, como um bebê assustado, para o colo dos próprios Dias Toffoli e Gilmar Mendes, em busca de proteção para escapar do processo das rachadinhas.
Não há mais espaço para solução negociada. A sociedade e parte relevante da imprensa brasileira já derrubaram uma presidente eleita e ajudaram a Operação Lava Jato a trancafiar corruptos poderosíssimos à época, inclusive o atual presidente da República.
Se faltava um líder, não falta mais. Romeu Zema – um inusitado porta-voz de algo tão grande – surgiu como aquele que pode conduzir a indignação brasileira diante do que vem acontecendo. Mas atenção, ex-governador de Minas: não se deixe capturar pela agenda bolsonarista. Não se deixe seduzir por discursos radicais, simplistas ou de viés golpista. Não se transforme em mais um Cleitinho ou Nikolas da vida – apenas para ficar em exemplos mineiros.
Mais do que um candidato à Presidência, Zema pode se tornar aquele que, de fato, terá condições de tensionar – democraticamente! – e alterar o status quo do Supremo e, no limite, da nação. Resta saber se tem estofo e capacidade para tanto.
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Comentários (1)
Emerson Hochsteiner de Vasconcelos
24.04.2026 17:53Se anistiar 8 1, estou fora. Qual é dele neste assunto?