Haddad renega a taxa das blusinhas
Lula, agora, é o melhor amigo do Pix, e o ex-ministro da Fazenda propagandeia que nunca quis taxar as compras do exterior até US$ 50
A eleição é um momento mágico no Brasil. As igrejas passam a ser frequentadas por ateus históricos e os governantes com dificuldade de se reeleger prometem de novo tudo aquilo que não conseguiram entregar. Mas é preciso respeitar minimamente a inteligência do eleitor, para não soa tão ridículo.
Depois de ter de cancelar uma instrução normativa da Receita Federal que previa maior monitoramento das transações via Pix. porque a população desconfiou das intenções do governo, Lula (à esquerda na foto) posa agora de defensor da ferramenta do Banco Central.
A pose foi instruída pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Sidômio Palmeira, como flagrou a câmera da transmissão oficial do governo em evento na Bahia.
E os petistas vão além, afirmando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai acabar com o Pix caso venha a ser eleito presidente da República, pela proximidade com o governo Donald Trump, que manifestou incômodo com a ferramenta, pela competição imposta aos bancos americanos.
Taxa das blusinhas
Mas o maior blefe dos petistas diz respeito à famigerada taxa das blusinhas.
Agora pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (à direita na foto) está tentando convencer todo mundo de que nunca quis ver aprovada a cobrança de imposto para compras do exterior no valor de até 50 dólares.
A taxa das blusinhas é a política mais impopular do governo Lula, como indicam as pesquisas.
A medida de fato acabou aprovada pelo Congresso Nacional com apoio de vários partidos, como tem dito Haddad em entrevistas, mas foi o governo petista, que gosta muito de arrecadar e pouco de economizar, que colocou a taxação em pauta, e Lula sancionou a mudança sem vetos.
Taxad
É claro que o governo fez cena para tentar amortecer o impacto da medida impopular, e também que as empresas brasileiras fizeram lobby contra as chinesas, como argumenta Haddad. Lula chegou a discursar contra a taxação um dia antes de sancioná-la. Mas a fama do governo fala por si.
A primeira crise criada por Janja no terceiro mandato de Lula foi a defesa infantil da taxa das blusinhas, sob o argumento de que quem pagaria seriam as empresas, e não o consumidor.
Haddad vai ter de se esforçar muito para convencer seus potenciais eleitores de que não tem nada a ver com essa taxa, entre tantas outras criadas ou elevadas que lhe renderam o apelido de Taxad.
Leia mais: Taxad não sossega nem em ano eleitoral
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Comentários (2)
Marian
05.04.2026 16:48Não assumem seus erros. Porque não propôs a extinção do tributo que tirou a alegria dos mais pobres? Teve 3 anos para isso e não soltou uma linha
Ticra
05.04.2026 14:48Pois é. Ao menos um acerto deste desgoverno. A “taxa das blusinhas” nada mais é do que uma pequena ação contra as empresas de fora do Brasil, que contrabandeavam itens, principalmente da China, se aproveitando da deficiência na fiscalização aduaneira, para vender produtos os mais diversos, não apenas algumas blusinhas, sem pagamentos de Imposto de Importação, ICMS, Pis e Cofins. Impostos e contribuições que as empresas brasileiras, quando importam algum produto, tem que pagar. E, sem o pagamento destes impostos, faturaram muito mais que alguns grandes varejistas brasileiros, configurando uma concorrência desleal, colocando em risco a saúde de fabricantes, comerciantes, e empregos no Brasil. Ou se taxava estas empresas contrabandistas, ou isentava as empresas nacionais. Poderia discorrer profundamente sobre o assunto. Mas basta estudar os dados e números destas empresas, como shoppee, aliexpress, temu, para ver esta realidade.