Janja e Nikolas Ferreira, o “piá de bosta” de 3 milhões de votos
O deputado federal bolsonarista superou todas as expectativas iniciais, que falavam em 2 milhões de votos
A estupidez, a arrogância e a falta de compostura dessa senhora, seguramente a mais baixa primeira-dama da história do Brasil, só não são maiores que as do próprio marido, a sedizente “alma mais honesta deste país”, apesar de todos os fatos e provas em contrário.
Em 2024, quando já ensaiava colocar as manguinhas, ou melhor, a língua para fora, sem a menor cerimônia e compostura, durante um encontro de líderes mundiais, o G20 Social, no Rio de Janeiro, Janja simplesmente mandou Elon Musk “Fuck you”.
Desde que o pai do Ronaldinho dos Negócios assumiu pela terceira vez a Presidência da República, a primeira-dama dedicou-se a curtir o cargo à vontade. Cargo? Sim. Pois Janja transformou o matrimônio em cargo, com direito a gabinete, equipe e verba.
Sem medo de ser feliz
Ao longo dos anos, imiscuiu-se em tarefas e assuntos que não são de sua alçada e de que entende muito pouco ou quase nada. De diplomacia a redes sociais, passando por escala 6×1 e bets. Muitas vezes, inclusive, passando por cima do próprio presidente.
Seu gosto por luxos e despesas custeadas pelo erário, ou seja, os trouxas aqui, rendeu-lhe o apelido Esbanja. Não saberia dizer se é melhor ou pior que o da última primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Micheque – por causa dos cheques do carequinha Fabrício Queiroz.
Recentemente, em um dos comícios de Lula, após o maridão falar asneira sobre “toque” em crianças, revoltadinha – e com razão – com mais um vídeo viral do novo bezerro de ouro da política brasileira, Nikolas Ferreira, babou ódio sobre um carro de som: “Piá de bosta”.
Cresceu e apareceu
Sim, a primeira-dama referiu-se a um deputado federal, que havia deturpado a besteira dita por Lula, como “piá de bosta”. Bem, todos sabem que estou longe de morrer de amores por Nikolas, mas o cara é deputado e ela, primeira-dama. Há que se ter um mínimo de decoro.
Também sobre um carro de som, em comício recente no interior de Minas, Nikolas, para o delírio da multidão que o acompanhava, mandou: “Muito obrigado pelo ataque, Janja. Você vai ver do que é capaz esse piá de bosta”. Dito e feito. As urnas ratificaram a ameaça.
O deputado federal bolsonarista superou todas as expectativas iniciais, que falavam em 2 milhões de votos (em 2022, teve pouco mais de 1,5 milhão). Mas, após o ataque boçal de Janja, repetido depois em Belo Horizonte, cidade de Nikolas, o “bezerro” engordou.
Você pagou com traição
Nikolas tornou-se um enorme “boi gordo premiado”. Com espantosos mais de 3,1 milhões de votos, quebrou todos os recordes possíveis e imagináveis e se tornou, definitivamente, o maior líder político do país. O motivo, além de Janja, só os eleitores dele sabem.
Uma peça teatral muito antiga, de Nelson Rodrigues, que depois se tornou um filme de sucesso, chamava-se: Toda Nudez Será Castigada. O título ganhou inúmeras variações. Uma delas, e das mais comuns, diz: Toda arrogância será castigada.
Lula é arrogante. Janja também. Nikolas é muita coisa, mas arrogante não é. E o castigo impingido à primeira-dama – para ficar no campo dos ditados – veio a cavalo. Podem colocar na conta dela. Inclusive, a possibilidade de derrota do marido para Flávio “Rachamaster” Bolsonaro.
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Comentários (1)
Rosa
05.10.2026 10:45Adorei. Ótima coluna; às vezes temis que lavar a alma e precisa-se de alguém que diga as coisas assim.