Mais um teste para a popularidade artificial de Lula
Associação do líder do governo no Senado ao escândalo do Master é o segundo percalço no caminho da recente melhora na avaliação do presidente
A popularidade de Lula (foto) vem melhorando progressivamente desde seu encontro com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em 7 de maio, que marcou a estratégia de recuperação após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde então, o governo intensificou as bondades eleitoreiras, que já batem nos 200 bilhões de reais, e promove de forma irresponsável o sonho do fim da escala de trabalho 6×1.
Além disso, o presidente foi beneficiado pela revelação das mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), visto como seu principal adversário hoje, pede dinheiro a Daniel Vorcaro.
O Lulômetro, tracking diário sobre a popularidade de Lula medido pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista, registra claramente uma melhoria na aprovação do petista, que tem 32% de avaliação bom e ótimo e 38% de ruim e péssimo, o melhor desempenho no ano.
Salto de aprovação
Lula tinha atingido a pior marca, de 50% de reprovação, em abril. De lá para cá, não é possível dizer que o governo melhorou, mas a impressão sobre ele está bem melhor, ainda que siga ruim.
A maré positiva foi desafiada pela primeira vez de forma mais intensa nesta semana, quando o líder de seu governo no Senado protagonizou a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do Banco Master. O impacto será medido nos próximos dias.
Esse não é o primeiro percalço para a manutenção da popularidade artificial do presidente, porque a designação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas pelo governo americano parece ter segurado o progresso da melhoria da aprovação.
O incômodo dos Estados Unidos com o Pix e o sentimento de ameaça em relação ao sistema de pagamento do Banco Central recolocou os opositores de Lula em situação desconfortável, contudo, e a popularidade do presidente segue melhorando desde 10 de junho.
Jaques Wagner
Agora, o governo Lula, que já estava levemente machucado pelo escândalo do Master, pelas reuniões fora da agenda do presidente com Vorcaro, foi incluído nas investigações, pela associação do senador Jaques Wagner (PT-BA), o homem forte do Palácio do Planalto no Senado.
O constrangimento é evidente. Enquanto os aliados dizem confiar em Wagner publicamente, torcem para que ele deixe a liderança do governo, para não prejudicar demais a imagem de Lula.
As explicações do senador baiano sobre o apartamento que o empresário e amigo Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, estava comprando para ele em Salvador e sobre o dinheiro em espécie achado em seus imóveis não foram convincentes.
Além disso, assim como ocorreu com outros investigados, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e enrolados, como Flávio Bolsonaro, os fatos subsequentes à primeira aparição no escândalo dificultaram ainda mais a vida de Wagner.
Corrida de desgaste
O Estadão noticiou que mensagens encontradas no celular de Vorcaro mencionam o líder do governo Lula como um intermediário do Master para enviar recados ao presidente, o que ergue uma ponte entre o ex-banqueiro do Master e o Palácio do Planalto.
Ao contrário de Flávio, o presidente não foi implicado pessoalmente no escândalo de forma tão direta — ainda é preciso saber se aparecerão mais informações de sua reunião fora da agenda com Vorcaro —, mas o filho 01 de Bolsonaro não é formalmente investigado, ao contrário de Wagner.
Lula optou por não descartar o líder do governo de imediato, e desviou do assunto, debochando da convocação de Neymar Jr. no evento público de sexta-feira, 19.
Parte do estrago já está feito, mas a permanência de Wagner na liderança do governo tende a estendê-lo, pois deixa o Planalto vulnerável ao avanço das investigações. O afastamento do senador baiano permitiria ao menos a tentativa de um discurso de boas intenções.
A corrida presidencial segue ao sabor, contudo, do acaso, assim como ocorreu com a política brasileira durante a Operação Lava Jato, cujo clima volta a assombrar Brasília.
Leia mais: Tem Master para todo mundo
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Comentários (1)
André Miguel Fegyveres
20.06.2026 17:10Lula torra 200.000.000.000 de reais nossos para se reeleger, que bosta de instituições nós temos! Foi condenado, julgado e preso com provas irrefutáveis e foi solto por causa do seu poder financeiro(oriundo de milhares de roubalheiras, negociatas e corrupções) para comprar juízes e apoios políticos corruptos, que bosta de instituições nós temos! Por causa do péssimo governo do Sr. Jair Messias Bolsonaro, a desculpa que permitiu sua soltura conseguiu o pretexto de sua ridícula "descondenação", que bosta de Judiciário nós temos! Tenho esperança que após a copa, Ronaldo Caiado consiga tranmitir quão ruins são o governo Lula e a opção Flávio Bolsonaro e dispare nas pesquisas!