Michelle apenas age como uma Bolsonaro
Dispensar a ex-primeira-dama como ativo eleitoral é erro crasso da pré-campanha de Flávio, que ainda tenta convencer o eleitorado feminino
Os bolsonaristas concentram em Michelle Bolsonaro (foto) as críticas pelo vídeo em que a ex-primeira-dama expôs sua mágoa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas os filhos de Jair Bolsonaro também estão muito longe de exercer o pragmatismo cobrado da madrasta.
De fato, como disse o pré-candidato ao Senado no Ceará Alcides Fernandes (PL), pivô dessa crise, a candidatura do ex-governador Ciro Gomes (PSDB) é a melhor chance de vitória contra o PT do governador Elmano de Freitas no estado.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também apelou ao discurso do pragmatismo para justificar a escolha de André do Prado (PL) para concorrer ao Senado em São Paulo.
Mulheres
Mas esse argumento não serve para os filhos do ex-presidente, que não estão dispostos a abraçar o potencial eleitoral da madrasta. Michelle foi convidada por Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, a participar como protagonista da vida do partido, liderando o PL Mulher. E não se pode dizer que ela não se empenhou — e nem que falhou na missão.
A resistência dos herdeiros de Bolsonaro em relação a Michelle se torna ainda mais problemática diante do fato de que Flávio atua exatamente para diminuir sua impopularidade entre as mulheres.
A ex-primeira-dama é exatamente o que Flávio precisava para atrair o voto de eleitoras que repelem Bolsonaro. Sob essa perspectiva, é desastrosa a condução desse caso pelo pré-candidato presidencial, indicado pelo pai como líder da família após a prisão por tentativa de golpe de Estado.
Uma Bolsonaro
Os filhos do ex-presidente não aceitam Michelle como parte da família, mas o fato é que ela está agindo exatamente como uma Bolsonaro. Os Bolsonaros ensaiaram em 2024 atuar de forma pragmática, pois se inseriram com protagonismo na estrutura do PL após a derrota em 2022. Mas o próprio líder da família negou ao hoje prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) seu apoio.
Coube ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) conduzir Nunes naquela eleição, porque Bolsonaro preferiu flertar informalmente com a candidatura do influenciador Pablo Marçal.
E o que dizer da candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina? Há algo de pragmático nela? Quando defende sua opção, justificada como um anseio pessoal, o ex-vereador carioca também apela para o discurso ideológico.
Esse conflito entre ideologia e pragmatismo faz parte da vida de qualquer político, mas é anda mais intenso no bolsonarismo, e esteve presente inclusive no governo de Bolsonaro, por causa da dificuldade de manter o discurso diante da realidade, que sempre se impõe.
Michelle pode até não ter sangue da família Bolsonaro, mas atua politicamente como um. Sua luta por espaço no bolsonarismo é tão legítima quanto a dos filhos do ex-presidente, por mais que eles relutem em aceitar. E dispensar o que ela tem para oferecer é um erro crasso.
Leia mais: Em vídeo, Flávio Bolsonaro reforça apoio a pivô de crise com Michelle
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marian
27.06.2026 15:00Há uma diferença crassa entre disputa e punhalada. Isso foi triste, pequeno e surpreendente.