Moraes e Gilmar puxam STF para o buraco
Acusações dos dois ministros contra Mendonça na sessão desta terça-feira, 15, entram para os anais da infâmia do Supremo, que sangra
Na tentativa evitar a investigação de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o potencial investigado, e o decano Gilmar Mendes (foto) fizeram acusações vulgares contra o colega André Mendonça na sessão convocada para tratar das suspeitas que rondam Moraes.
O próprio Moraes já tinha acusado Mendonça de intenções políticas, e até de ter contado com ajuda estrangeira, mas, agora, ele verbalizou isso em público, no plenário do tribunal, e foi escudado por Gilmar, que também acusou diretamente Mendonça.
O linguajar vulgar usado pelos dois contrasta com a forma protocolar como Mendonça encaminhou a questão ao plenário e dá a dimensão da dificuldade dos aliados de Moraes de defender o ministro.
Gilmar chegou a chamar Mendonça de “um ‘pixuleco’, um boneco eleitoral”.
Obstrução
Também participou da obstrução na primeira parte da sessão o ministro Flávio Dino, outro que contribui para o vandalismo judicial feito para evitar uma investigação sobre Moraes — horas antes da sessão, ele chegou a pedir investigação em que sugeria conflito de interesse de Mendonça.
O resultado da chicana promovida por esses três ministros é que o tema central da sessão, se Moraes será ou não investigado, não chegou nem perto de ser tocado ao longo da manhã.
Dino, Gilmar e Moraes passaram os últimos dias tentando tumultuar o caso junto com Cristiano Zanin, lançando suspeitas sobre Mendonça e tentando poluir a sessão.
Deu certo com o ministro Kassio Nunes Marques, que não admitiu relação com o Banco Master, mas se declarou impedido de participar do julgamento e até deixou o plenário com a desculpa esfarrapada de que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Buraco
Horas antes da sessão, passou a circular a informação de que o filho advogado de Nunes Marques recebeu dinheiro do Master. O ministro negou na sessão.
Dias Toffoli também se declarou impedido, e também negou que tenha sido por causa das suspeitas de relação com o Master, cujo inquérito ele relatou por três meses antes de se assumir suspeito.
Caso os quatro ministros responsáveis pelo vandalismo judicial dos últimos dias consigam aquilo que pretendem, o STF não conseguirá sair do buraco para o qual foi puxado por eles.
Leia mais: O covarde e excêntrico impedimento de Nunes Marques
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E não é de agora...