O bolsonarismo não respeita sutilezas
Lideranças da direita respondem com sobriedade aos apelos golpistas de Flávio Bolsonaro; melhor seria denunciá-los de uma vez
Flávio Bolsonaro pretende liderar – ou tutelar – a direita brasileira a partir da Flórida.
A carta que divulgou com seus planos para os “Estados Unidos do Brazil” (ops) tem um trecho constrangedor para aqueles que o apoiaram na campanha presidencial:
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: Sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui.”
Flávio Bolsonaro não reconhece que contou com a colaboração de muitos para obter seus votos. Só ele “ajudou a eleger”.
Flávio Bolsonaro trata o experiente Rogério Marinho, que comandou sua campanha e foi também fundamental para o fortalecimento do PL no Congresso, como alguém que não faz política no sentido pleno.
A linguagem e as intenções do documento estão em claro desacordo. Flávio diz que políticos muito mais expressivos que ele não têm liberdade, por isso ele vai liderar. A verdadeira mensagem é outra: quero liderar; submetam-se.
O narcisismo é espantoso. Os Bolsonaro têm pavor de perder a relevância e cair no esquecimento.
Respostas
Figuras relevantes da direita responderam à carta com sobriedade.
Tarcísio de Freitas divulgou um vídeo afirmando que é hora de seguir em frente. As eleições passaram, estão decididas.
Rogério Marinho disse que nem ele nem o PL têm qualquer evidência de que tenha havido fraude nas eleições.
Nenhum partido embarcou na canoa furada do golpe eleitoral.
Todos sabem o que aconteceu. O Brasil está polarizado. Petismo e bolsonarismo são tão sólidos quanto antipetismo e antibolsonarismo. Na votação de domingo, manifestou-se um “antibolsonarismo de chegada”, que deu a vitória a Lula.
Há muita gente irritada com Flávio Bolsonaro na direita. Não expressam essa irritação aos quatro ventos porque temem a máquina de moer reputações que a família tem prazer em mobilizar.
No momento, a intenção parece ser a de agir com sutileza. Fazer ouvidos de mercador para os apelos golpistas de Flávio Bolsonaro. Isolar o clã aos poucos.
Seria melhor para o país se a direita civilizada rompesse de uma vez por todas com esse movimento tosco e autoritário chamado bolsonarismo. Talvez isso ainda venha a ser necessário. O bolsonarismo não respeita sutilezas.
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Comentários (1)
ELY JOANA BELOTTO
29.10.2026 12:51Não sou bolsonarista nem petista. Mas também não sou cega. Tive, sim, esperança da vitória de Flávio, principalmente em função da equipe que o cercava. Era trocar o certo (esse horrível governo petista) pelo duvidoso. O resultado da eleição foi desanimador, com várias possíveis evidências de fraudes, além da atitude pouco sutil do ministro Alexandre de Moraes, triste figura desta atual república, que desrespeitou os cerca de 60 milhões de brasileiros que votaram no candidato "derrotado". Mas eu não gostei também do seu post sr. Graieb, do seu tom de dono da verdade e da sua absoluta falta de sutileza.