O Brasil não perdeu para a Noruega. Perdeu para a realidade. Chamem o Gilmar
O futebol brasileiro continua entregue à baixa qualificação e à cartolagem corrupta. Na CBF, hoje, manda um ministro do STF
“Quem não faz leva”. “Todo grande time começa por um grande goleiro”. “Quem tem um matador tem tudo”. “Copa do Mundo é decidida no detalhe”. “O lado emocional pesa”. Todos estes clichês de mesa-redonda, repetidos há décadas por comentaristas, boleiros e palpiteiros de boteco explicam parte da eliminação do Brasil para a Noruega. Mas apenas parte, porque o principal motivo é cruel: a Seleção Brasileira virou uma seleção comum. Simples assim. Triste assim.
Passamos décadas acreditando que a amarelinha entrava em campo com um gol de vantagem. E entrava mesmo. Quando tinha Pelé, Garrincha, Zico, Reinaldo, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e outros gênios que transformavam qualquer jogo complicado e placar adverso em vitórias inesquecíveis. E mesmo nas derrotas, como em 1982 e em 2006, com times superiores aos adversários, isso ficava patente. Hoje, temos bons jogadores, mas não temos esses caras.
Vini Jr. é craque? Muito. Desequilibra? Opa! Decide jogos? Na Espanha, sim. Mas colocar o crush da Virgínia na mesma prateleira de um Romário em 1994 ou de um Ronaldo em 2002 é confundir fama momentânea com lugar na prateleira de cima da história do futebol. Romário e Ronaldo eram fatais! Chegavam na copa e qualquer adversário, por mais forte que fosse, sabia que, em algum momento, a conta chegaria. Hoje, essa conta chega para nós.
Chamem o Gilmar
Outras seleções entram em campo esperando que Messi, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Harry Kane ou Haaland resolvam. E eles resolvem. Mas o Brasil tenta se convencer de que o Endrick será o “cara” da Copa. Ou que o menino Ney ainda tem lenha pra queimar. Na boa, uma seleção que depende de Fabinho, Rayan, Martinelli, Douglas Santos e outros esforçados não assusta ninguém. Principalmente europeu com um goleiro e um atacante como a “modesta” Noruega.
O futebol mudou? Claro. Faz tempo. Força física, esquema tático e equilíbrio emocional superam, às vezes, craques geniais. Para nosso azar, não temos nem uma coisa nem outra. Aquele outro jargão, “Não existe mais time bobo”, não surgiu do nada. E essa frase também virou uma espécie de muleta para esconder outra realidade: nós ficamos menos especiais. Ou melhor, comuns. Marrocos nos mostrou isso. Japão nos mostrou isso. A Noruega confirmou.
Não temos um talento verdadeiramente “fora da curva”. Muito menos a organização que os europeus têm. Ao contrário. O futebol brasileiro continua entregue à baixa qualificação e à cartolagem corrupta. Na CBF, hoje, manda um ministro do STF. Claro que não daria certo. Inclusive, talvez seja nossa maior derrota. O mundo já não entra em campo com medo da Seleção, e a FIFA tem seus próprios “capas pretas”. Ou seja, nem o tapetão irá nos salvar.
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Comentários (3)
Clayton de Souza Pontes
06.07.2026 14:09Perfeito . A estrutura da cbf leva a essa farra econômica que atrai os mais diversos tipos de aproveitadores. Não têm projeto para o futebol no país e os jogadores se preocupam mais com a foto pras redes sociais
MARCOS
06.07.2026 11:14ACHO QUE FOI NELSON RODRIGUES QUE DISSE QUE O FUTEBOL É O ÓPIO DO POVO. FICAM DOIDÕES COM O FUTEBOL QUE ESQUECEM DA REALIDADE DA VIDA. ACABOU....ACABOU... COMO DIRIA GAVIÃO BUENO. ACORDEM PRÁ REALIDADE. JUROS ALTOS, NORDESTINO PASSANDO FOME, LADRÕES NA POLÍTICA, NO EXECUTIVO, NO JUDICIÁRIO. FOME, FOME, FOME.
Annie
06.07.2026 10:04Não entendo porque sempre a foto do Neymar o time todo foi péssimo e depois do penta o Brasil só faz amarelar.