O país do dane-se
Danem-se as consequências. Danem-se os que virão depois. No país do dane-se, o problema não é meu. É do outro. Até o dia em que deixar de ser
Dane-se. Danem-se as ruas, os bairros, as cidades, os estados. Danem-se as praças, os muros, os monumentos, os jardins.
Danem-se os ônibus, os carros, as motos, os caminhões. Danem-se as árvores, os postes, os fios, os canos, os buracos.
Dane-se. Danem-se os bebês, as crianças, os idosos, os deficientes, os famintos.
Danem-se os saudáveis. Danem-se os ricos, os pobres e a classe média. Danem-se os bilionários, os trilionários e os miseráveis.
Dane-se tudo. Danem-se Brasília, Belo Horizonte, Rio, São Paulo ou Riachão do Bacamarte, na Paraíba.
Danem-se os líderes comunitários, os vereadores, os prefeitos, os governadores, o presidente.
Dane-se o Executivo. Dane-se o Legislativo. Dane-se o Judiciário. Danem-se a Constituição, o código penal, o código tributário, o código ambiental. Danem-se as leis.
Dane-se o Congresso, o STF, o STJ, o TSE, o MPF, o CNJ, o TCU, o TCE, a PF, a PRF.
Dane-se o passado. E danem-se o presente e o futuro.
Dane-se a humanidade.
Dane-se a escola. Danem-se os professores, os alunos, os livros, as bibliotecas, os laboratórios. Danem-se a ciência, a pesquisa, o conhecimento, a inteligência.
Danem-se as vacinas, danem-se os fatos.
Dane-se a fila. Danem-se as regras, os sinais, o farol vermelho, os limites de velocidade, as vagas de deficientes, as calçadas, as faixas de pedestres. Danem-se os outros.
Danem-se os traficantes, os aviõezinhos, os trombadinhas, o PCC, o CV. Danem-se os colarinhos brancos.
Dane-se o lixo. Danem-se o bueiro, o córrego, o rio, a praia, o lote vago. Danem-se a coleta seletiva, a reciclagem, o saneamento. Danem-se as enchentes e os alagamentos.
Danem-se a poluição, o meio ambiente, o clima. Danem-se o respeito, o contraditório, a pluralidade, a educação.
Danem-se a cortesia, a civilidade, os bons modos.
Dane-se o dinheiro público. E o privado. Danem-se os impostos, as licitações, os contratos, a transparência, a fiscalização. Danem-se as obras inacabadas, os hospitais, as creches, as escolas.
Dane-se a verdade. Danem-se a realidade, os documentos, as provas, a coerência, os princípios, as convicções, a palavra dada, a palavra… empenhada.
Danem-se a inflação, os juros, o crédito, a inadimplência, o déficit, a concordata, a moratória, a falência.
Danem-se o SPC, o FGC, o INSS, o FGTS. Dane-se o ENEM.
Danem-se André, Alexandre, Carla, Carlos, Ciro, Cleiton, Daniel, Davi, Edir, Eduardo, Erika, Farias, Fernando, Flávio, Gilmar, Gleisi, Hugo, Jair, Jaques, Luis, Nikolas, Rogério, Romeu, Ronaldo, Sergio, Tarcísio e tantos quantos forem necessários.
Danem-se a PEC, o PL, a CCJ. Aliás, danem-se o PP, o PV, o PSD, o PT, o PL, o PTB e a PQP.
Dane-se a responsabilidade. Danem-se as consequências. Danem-se os que virão depois.
No país do dane-se, o problema não é meu. É do outro. Até o dia em que deixar de ser.
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Comentários (4)
Pedro Boer
24.06.2026 14:29Opa! Jornalistas não!! rs rs
Rosa
24.06.2026 13:50Acho que ele quer dizer: Façamos alguma coisa!!!!
Clayton de Souza Pontes
24.06.2026 08:58No topo dessa lista devem estar os poderosos, de onde emanam as demais mazelas
É isso, o dane-se, pra não dizer outra coisa. Concordo inteiramente com vc , e estou igualmente indignada com tudo. Até quando?