Quem vilipendia a honra do STF
Gilmar Mendes tenta terceirizar para os críticos do Supremo a responsabilidade pela degradação institucional do tribunal
Gilmar Mendes (à direita na foto) quer incluir Romeu Zema (Novo) no interminável inquérito das fake news.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF) alega que uma animação satírica sobre os ministros do tribunal publicada pelo ex-governador de Minas Gerais “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.
O mesmo Gilmar manifestou indignação diante do pedido de indiciamento de três ministros do STF e do procurador-geral da República apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que só não foi aprovado pela CPI do Crime Organizado por conta de uma manobra do governo Lula. O ministro também pediu investigação de Vieira por abuso de autoridade.
Para o decano do STF, aliás, o tribunal nem sequer passa por um crise. “Eu não vejo assim e não concordo com esses colegas nessa visão”, disse o ministro em entrevista à Band.
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Sem freio
As reações de Gilmar às críticas e sua resistência em reconhecer a crise pela qual o tribunal passa ajudam a entender — e tornam até óbvio — o pior momento da história do Supremo.
Sem freios institucionais para além do inédito processo de impeachment, que se avizinha há anos, os ministros do STF precisariam regular uns aos outros, mas nem isso eles se dispõem a fazer.
O tribunal se uniu contra Jair Bolsonaro, mas, depois da prisão do ex-presidente, ficou sem o vilão que usava para justificar suas medidas autoritárias e heterodoxas.
Os ministros seguem alegando sofrer ataques, levando críticas pessoais para o lado institucional, mas o discurso se desgastou pelo surgimento de um escândalo de corrupção.
O maior problema
Alexandre de Moraes teria trocado mensagens com Daniel Vorcaro no dia da primeira prisão preventiva do banqueiro, Dias Toffoli (à esquerda na foto) só abandonou a estranha relatoria do caso Master porque a situação ficou insustentável e Gilmar entrou na história ao atuar de forma sinuosa em favor do colega.
O Antagonista já diz há meses, mas os ministros do STF nos forçam a repetir: hoje, o maior problema do tribunal está do lado de dentro, e não do lado de fora.
Leia mais: O problema não é Alessandro Vieira
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Comentários (1)
Emerson
20.04.2026 15:10Sem freios por omissão de uma parcela do senado.