Trump provou que Marx tinha razão
Ele tem dado pistas, palpites, sugestões, indícios, mostras, evidências e provas de que é mesmo o que parece ser
Para Karl Marx, o direito protege os interesses das classes dominantes e maquia a fragilidade das classes dominadas. Confere legitimidade ao establishment enquanto promete equanimidade ao cidadão. Mais do que ciência social, o direito seria, na prática, um conjunto de regras de etiqueta. Manejar leis no tribunal é como manejar talheres à mesa, não importa se quem maneja é destro ou canhoto. Uns servem, outros são servidos.
Troquemos classes por nações, e Donald Trump concordaria comigo e com o alemão. Decidiu que derrubaria um governo ilegítimo com uma intervenção ilegítima. O chavismo é uma doença autoritária? Sim. O trumpismo é um remédio democrático? Não. O presidente e aspirante a ditador ignorou o que restava do arranjo do pós-guerra e mostrou que o direito (internacional ou doméstico) voltará a ser guilty pleasure de liberal.
Desde sua eleição, tem dado pistas, palpites, sugestões, indícios, mostras, evidências e provas de que é mesmo o que parece ser: um neofascista que usará o peso econômico e a força militar para redesenhar os EUA e o restante do mundo à sua imagem e semelhança. Quaisquer instituições ou regulamentos serão ignorados dentro e fora do país. Constituições, acordo, tratados? Papéis pintados.
Da política de imigração à intervenção no Fed, do protecionismo comercial à instabilidade emocional, do desapreço pela liberdade de imprensa à ingerência nas universidades e nos programas de comédia, o Dr. Strangelove tem cumprido os desvarios que prometeu. E pior do que um político que não cumpre o que promete é um político que cumpre o que promete. Com alguns anos de atraso, conseguiu invadir o Capitólio.
Democracia? Ele não saberia soletrar. Tão logo derrubou Maduro, fingiu que não ouviu os apelos da oposição venezuelana por eleições e tratou de se entender com a vice do ex-ditador. Se ela se comportar direitinho, se lhe der o petróleo e o entreposto geopolítico, teremos mais alguns anos de um chavismo que diz amém em inglês. Já María Corina é como Volodymyr Zelensky: caso não atrapalhe a conversa dos adultos e faça as devidas genuflexões, ganhará alguma atenção.
Agora é a vez da Groenlândia. Quem será o próximo?
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Comentários (1)
Olinha
15.01.2026 08:13Excelente!