“Adoro ser desafiado, me divirto com isso”, diz Gilmar
Decano do STF reagiu a pedido de indiciamento, comparou CPI ao "lavajatismo" e acusou Rodrigo Janot de ficar "bêbado"
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), partiu para o confronto após o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pedir o seu indiciamento, dos colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral Paulo Gonet, na CPI do Crime Organizado.
Em discurso de abertura da Segunda Turma, nesta terça, 14, o decano afirmou que “adora ser desafiado” e citou uma frase utilizada no Mato Grosso.
“Eu, como sabem, adoro ser desafiado. Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem: ‘Não me convide para dançar porque eu posso aceitar’. Adoro ser desafiado. Me divirto com isso. Mas outros se acoelham, tem medo. E assombração, também dizemos no interior, aparece para quem acredita nisso. É preciso que a gente esteja atento, inclusive para dizer para aqueles que têm medo de assombração, que eles não existem, que são fantasmas, que não amedrontam, que são fantoches.”
Gilmar também afirmou que o ex-PGR Rodrigo Janot, seu antigo desafeto, ficava “bêbado às três horas da tarde” e comparou os trabalhos do colegiado ao “lavajatismo”
“Tem um quê de lavajatismo. E todos sabem que lavajatismo não rima com coisa boa. Nessas tentativas de emparedar o Poder Judiciário. Uma tentativa de manietar juízes independentes. Lavajatismo lembra Moro, Dallagnol, lembra Janot, de triste memória. Ou ninguém sabe que, às três horas da tarde, Janot já estava bêbado? Ou alguém não sabe que nós recebemos denúncias, muito provavelmente denúncias aqui feitas por alguém inimputável. É este o quadro. Não gostaria de ficar relembrando coisas tristes. Mas me chamaram para dançar. É preciso que a gente chame as coisas pelo nome. O heroi de então, Janot, era essa triste figura que, a partir das três horas da tarde, já convidava seus interlocutores para tomar uma grapa. E que no final do dia já estava bêbado”, afirmou.
Assista ao vídeo:
Ministros do STF e Gonet
O relatório de Vieira pede o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
No caso de Toffoli, são citados julgamentos em situação de suspeição, decisões e comportamentos que, segundo o relator, indicam conflito de interesses e interferência em investigações.
Já Moraes é apontado por atuar em processos nos quais haveria impedimento, diante de relações financeiras envolvendo o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, sócia do escritório Barci de Moraes, com o Banco Master.
Ele também é acusado de atuar para restringir o alcance das apurações da CPI. Ao decano Gilmar Mendes, o relatório atribui conduta incompatível com o decoro ao anular medidas investigativas e determinar a inutilização de dados relevantes, comprometendo as investigações realizadas pela comissão.
Em relação ao procurador-geral da República, o documento sustenta que houve omissão diante de indícios considerados robustos contra autoridades. Para Vieira, houve falha no cumprimento das atribuições institucionais do PGR.
A CPI do Crime Organizado investigou a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no país. Nas últimas semanas, ela vinha buscando avançar na apuração das fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O prazo de funcionamento do colegiado vai até hoje. Alessandro Vieira está fazendo a leitura de seu relatório e, na sequência, o colegiado vai votá-lo.
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Comentários (2)
Q continue se divertindo... uma hora a conta chega!
Maraci Rubin
14.04.2026 17:33Está despeitado, esse aí!