AGU pedirá direito de resposta e correção por reportagem sobre filme de Lula
Órgão diz que PF, PGR e defesa de Vorcaro contradizem a Veja e avalia adotar outras medidas legais contra a publicação
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta sexta-feira, 9, que pedirá à revista Veja direito de resposta e a correção das informações publicadas na reportagem sobre supostos repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o presidente Lula (PT).
A medida foi anunciada após requerimento da Casa Civil e do Ministério da Saúde e esclarecimentos prestados pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Em relação à reportagem intitulada ‘Primeiras Confissões‘, publicada na edição nº 3.016, de 9 de outubro de 2026, da revista Veja, a AGU informa que solicitará imediatamente à publicação o direito de resposta e a retificação das informações divulgadas, sem prejuízo da adoção de outras medidas legais cabíveis“, inicia o comunicado.
“A providência será adotada após análise do requerimento encaminhado pela Casa Civil da Presidência da República e pelo Ministério da Saúde, bem como dos esclarecimentos prestados pela PGR e pela PF. O pedido tem fundamento no artigo 2º da Lei nº 13.188, de 11 de novembro de 2015, diante da divulgação de informações apontadas como inverídicas e gravemente ofensivas a autoridades federais, conforme exposto no requerimento submetido à AGU”.
A nota prossegue: “Cabe destacar que informações divulgadas nesta mesma data por outros veículos de comunicação, atribuídas à própria defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contradizem o conteúdo da reportagem da Veja, ao indicar que não existe depoimento do investigado com o teor apresentado pela revista. Tal circunstância reforça a necessidade de esclarecimento dos fatos e de correção das informações questionadas”.
Segundo a reportagem da revista, anexos entregues à Procuradoria-Geral da República pela defesa de Daniel Vorcaro, no âmbito das negociações por uma delação premiada, indicam que o ex-controlador do Banco Master teria pago 30 milhões de reais, “por fora”, ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário “Lula”, de Oliver Stone.
Em áudio, o banqueiro contou que o pagamento seria parte das negociações feitas com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para conseguir acesso aos cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo partido.
Segundo Vorcaro, a aproximação do Master com Vaccari Neto ocorreu por intermédio do então CEO do Master, Augusto Lima, e do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.
Vaccari também exigiu, conforme Vorcaro, uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Caso o negócio desse certo, o petismo embolsaria 1 bilhão de reais, e Vorcaro, 9 bilhões de reais.
“Dark Horse”
Impressionado com a revelação, o interlocutor de Vorcaro no áudio comparou a situação com o caso Dark Horse, no qual o banqueiro pagou mais de 60 milhões de reais para produzir filme sobre Jair Bolsonaro.
Mas Vorcaro discordou, dizendo que colocou até mais dinheiro no filme sobre Lula.
De acordo com o ex-controlador do Master, o dinheiro que financiou o documentário de Oliver Stone foi “por fora, foi errado”.
“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais (que o filme de Bolsonaro). Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”, afirmou.
Envolvimento de Padilha?
Vorcaro acusou ainda o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, e mais dois operadores ligados à dupla de terem participado do esquema.
“No fim de 2023 e início de 2024, formei uma equipe interna no Banco Master para captação institucional junto a novos produtos financeiros através dos fundos de pensão do Governo Federal… Com isso, eu logo passei a receber propostas espúrias [‘as mordidas’] de políticos e emissários desses”, disse o banqueiro.
Vorcaro afirmou partiu para a abordagem junto aos presidentes dos fundos estatais no primeiro semestre de 2024, por intermédio de um operador petista identificado como “Júlio”.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que Júlio apresentou o banqueiro a Olavo Noleto, braço direito de Padilha no Planalto.
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Comentários (1)
Annie
09.10.2026 18:38O que s AGU tem com isso?