Ao menos três ‘Bolsonaros’ vão disputar vaga de deputado federal no RJ
Estratégia que já deu certo com Hélio Lopes em 2018 vista angariar votos no colégio eleitoral do clã
Três candidatos ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro registraram junto à Justiça Eleitoral nomes de urna que fazem referência ao sobrenome Bolsonaro, embora não pertençam à família do ex-presidente.
Os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que concorrem ao cargo Jean Carlos Dias Barbosa Lopes, que adotou o nome de urna Jean Bolsonaro; Vanessa da Silva Oliveira, registrada como Negona do Bolsonaro; e Renato de Araujo Correa, que disputa a eleição como Renato Araújo do Bolsonaro. Todos eles integram o PL, partido do ex-presidente da República.
Jean tentou uma vaga na Câmara Municipal de Nova Iguaçu em 2024, mas não conseguiu ser eleito. Já a Negona de Bolsonaro foi citada no relatório da Polícia Federal em que o órgão pedia o indiciamento do ex-presidente da República e de seu filho Eduardo Bolsonaro por tentativa de obstrução de Justiça em 2025. O Supremo Tribunal Federal (STF) não acolheu o pedido da PF.
Na peça da PF, o órgão afirma que Jair Bolsonaro utilizou redes sociais de terceiros para burlar restrições impostas pela Justiça. Um dos perfis era justamente o da Negona de Bolsonaro.
Negona de Bolsonaro também concorreu nas eleições de 2024, mas para a Câmara do Rio de Janeiro. Ela não foi eleita. Durante a campanha passada, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) fluminense proibiu Vanessa de usar o sobrenome Bolsonaro.
Já Renato de Araújo Correa é da região de Angra dos Reis e foi o empreiteiro responsável pela supervisão das reformas da residência do ex-presidente na cidade. Em 2024, ele disputou a prefeitura de Angra e não foi eleito. Naquele ano, adversários o acusaram de apresentar um diploma falso.
Antes de ser preso pelo STF, o próprio Jair atuou na pré-campanha de Renato.
“Ele é um empresário bem-sucedido. Essa experiência que ele tem, de boa gestão, é bom entrar na política. Vai ser a escolha dele, federal ou estadual em 2026”, disse o ex-presidente em entrevista a um podcast local em 2025.
Legislação
A legislação eleitoral permite que candidatos escolham um nome de urna diferente do nome civil, desde que não induza o eleitor a erro quanto à identidade do postulante nem viole outras restrições previstas nas normas da Justiça Eleitoral.
O uso de apelidos, nomes pelos quais o candidato é conhecido ou referências associadas a figuras públicas tornou-se uma estratégia recorrente em campanhas eleitorais para aumentar o reconhecimento do eleitorado nas urnas.
O deputado federal Hélio Lopes (PL) conseguiu ser o parlamentar mais bem votado no Rio de Janeiro em 2018 utilizando-se exatamente dessa estratégia. Na época, ele teve 345 mil votos e usou o nome na urna de Hélio Bolsonaro. Também pesou a favor dele o fato de utilizar o mesmo número adotado por Eduardo Bolsonaro em São Paulo.
Em 2022, Hélio Lopes, no entanto, teve uma queda de aproximadamente 212 mil votos.
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Comentários (1)
Nenhum integrante desta "família" tem o meu voto!