Centrão raiz domina estados da Região Norte com velhos nomes
MDB, PSD, União Brasil e PP contam com veteranos no centro da disputa em estados do Norte; grupos que controlam a política local há anos
A eleição para os governos dos sete estados da Região Norte chega à reta final com uma característica conhecida da política brasileira: a força de grupos tradicionais, partidos de centro e alianças que atravessam diferentes campos ideológicos.
MDB, PSD, União Brasil e PP aparecem entre os principais protagonistas da disputa. Em alguns estados, são nomes com décadas de atuação política e redes de aliados construídas em governos, prefeituras, Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional.
O cenário, porém, não é homogêneo. O PL lidera as pesquisas em Rondônia e Roraima, enquanto partidos do chamado Centrão aparecem na dianteira ou em condições competitivas nos demais estados.
Acre: a máquina do PP virou o jogo
No Acre, a governadora Mailza Assis (PP) aparece na liderança, com 36% das intenções de voto, segundo a pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro. Alan Rick (Republicanos) tem 28% e Tião Bocalom (PSDB), 15%.
O resultado representa uma virada em relação à pesquisa anterior. Em agosto, Mailza tinha 24%, contra 33% de Alan Rick. Agora, a governadora abriu oito pontos de vantagem.
A força do grupo governista passa também pelo ex-governador Gladson Cameli (PP), que deixou o Executivo em abril para disputar o Senado. Na pesquisa para o Senado, ele aparece numericamente na frente, com 19%.
Mailza assumiu o governo depois da saída de Cameli e tenta manter a estrutura política construída pelo grupo. A chapa também incorporou o MDB, com Jéssica Sales como candidata a vice.
“Todas as alianças, as nossas conversas que estamos fazendo há tanto tempo, inclusive com o MDB, foram conversadas, foram alinhadas”, afirmou Mailza ao defender a manutenção do acordo com o partido.
Amapá: Alcolumbre contra Furlan
No Amapá, a disputa é também uma queda de braço entre grupos políticos tradicionais. Dr. Furlan (PSD) aparece com 53%, contra 40% do governador Clécio Luís (União Brasil), segundo a Quaest.
Clécio tem ao lado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), uma das principais forças políticas do estado. Alcolumbre construiu uma ampla estrutura partidária no Amapá e, segundo levantamento da Folha, conta com apoio de 90% dos deputados estaduais e federais e de 15 dos 16 prefeitos.
O senador também levou para o estado estruturas federais como a Codevasf. O órgão, controlado por indicações políticas do Centrão, destinou R$ 32 milhões em máquinas e veículos ao governo do Amapá desde 2023.
Apesar dessa estrutura, Furlan aparece numericamente à frente.
A disputa ganhou ainda um capítulo judicial. O ministro Dias Toffoli, do TSE, votou pela impugnação da candidatura de Furlan. O processo ainda interfere diretamente no cenário eleitoral do estado.
Amazonas: quase quatro décadas de Omar Aziz
No Amazonas, o nome mais antigo do tabuleiro é Omar Aziz (PSD). O senador acumula quase quatro décadas de vida pública e já foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito, vice-governador e governador do Amazonas.
Agora, aparece com 29% na Quaest. Professora Maria do Carmo (PL) tem 19%, empatada tecnicamente com o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade (União Brasil), que registra 18%.
Omar iniciou a trajetória política no fim dos anos 1980 e chegou ao governo do Amazonas em 2010. Desde 2015, ocupa uma cadeira no Senado.
A eleição atual coloca novamente o PSD no centro da política amazonense. A chapa de Omar reúne ainda Eduardo Braga (MDB), outro veterano da política estadual, que também já foi governador e agora disputa a reeleição ao Senado.
Em julho, a convenção de Braga foi marcada justamente pela composição entre MDB, PSD e Republicanos, enquanto a federação formada por PT, PV e PCdoB ficou fora do ato.
Pará: a máquina dos Barbalho ainda está no jogo
No Pará, o grupo mais tradicional da política regional também permanece no centro da disputa. A família Barbalho, há décadas uma das principais forças políticas do estado, tenta manter o governo com Hana Ghassan (MDB).
A pesquisa Quaest divulgada em 26 de setembro mostra Dr. Daniel (Podemos) com 41% e Hana com 32%. O resultado interrompe uma sequência de levantamentos em que os dois apareciam tecnicamente empatados.
Hana assumiu o governo em abril, depois da saída de Helder Barbalho (MDB), que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Helder lidera a corrida pelo Senado no estado, com 25% na mesma pesquisa.
A estrutura política do MDB paraense é antiga e ultrapassa o atual governo. Helder é filho do ex-senador e ex-governador Jader Barbalho, enquanto seu irmão, Jader Filho, ocupa o Ministério das Cidades.
Em fevereiro, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), chegou a citar Helder como um dos nomes do MDB que poderiam compor uma eventual ampliação da aliança nacional de Lula.
Rondônia: Centrão corre por fora do bolsonarismo
Rondônia é um dos estados em que a disputa foge do domínio do centro. O senador Marcos Rogério (PL) lidera com 37%, segundo a Quaest. Adailton Fúria (PSD) aparece em segundo, com 21%.
Fúria representa o grupo do atual governador, Marcos Rocha (PSD). Antes de chegar à disputa estadual, foi vereador, deputado estadual e prefeito de Cacoal, onde foi reeleito com mais de 83% dos votos.
O PSD, porém, enfrenta uma dificuldade nacional que chegou ao palanque estadual: a associação do partido ao presidente Lula. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, afirmou que os partidos do chamado Centrão que desistiram de candidatura própria à Presidência estão, na prática, apoiando Lula.
A declaração foi explorada pelo bolsonarismo contra Fúria durante a campanha.
Roraima: PL na frente, velha guarda no Senado
Em Roraima, Arthur Henrique (PL) aparece muito à frente, com 57%, contra 32% de Soldado Sampaio (Republicanos).
Arthur é ex-prefeito de Boa Vista e tenta chegar ao governo em uma eleição provocada pela cassação da chapa eleita em 2022, formada por Antonio Denarium e Edilson Damião.
O peso do Centrão aparece com mais força na disputa pelo Senado. Teresa Surita (MDB) lidera numericamente com 22%, seguida por Antonio Carlos Nicoletti (PL), com 19%, e Helena da Asatur (PSD), com 17%.
Teresa é outro nome conhecido da política regional e representa uma das famílias políticas mais tradicionais de Roraima.
Tocantins: União Brasil tenta ampliar domínio
No Tocantins, a liderança é de Professora Dorinha (União Brasil), com 42%, seguida por Vicentinho Júnior (PSDB), com 29%, segundo a Quaest.
Dorinha é senadora e uma das principais lideranças do União Brasil no Congresso. Antes de chegar ao Senado, foi deputada federal pelo estado.
A distância entre os dois cresceu em relação à rodada anterior: Dorinha tinha 37% e passou para 42%, enquanto Vicentinho foi de 28% para 29%.
A pesquisa também mostra que 52% dos eleitores avaliam positivamente o governo do atual governador, Wanderlei Barbosa (Republicanos), enquanto 60% dizem que ele merece ser reeleito ou eleger um sucessor.
O desenho do estado é mais um exemplo de como o centro político se mantém competitivo no Norte, mesmo em uma eleição marcada pela força do PL em parte da região.
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Comentários (1)
Não é possível q o povo do Nordeste continue na mesma tecla, votando em amigos do Vorcaro...