Crise dos caminhoneiros ressuscita Zé Trovão
O Antagonista

Crise dos caminhoneiros ressuscita Zé Trovão

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Guilherme Resck
4 minutos de leitura 19.03.2026 07:00 comentários
Brasil 19.03.2026 07:00 4 minutos de leitura

Crise dos caminhoneiros ressuscita Zé Trovão

Parlamentar busca reunião emergencial com Motta e Alcolumbre para discutir o que o Congresso pode fazer para evitar paralisação

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Guilherme Resck
Crise dos caminhoneiros ressuscita Zé Trovão
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) afirmou na quarta-feira, 18, em entrevista a O Antagonista, que o governo Lula (PT) esqueceu de fazer o dever de casa para evitar essa situação atual em que caminhoneiros de diversas regiões do Brasil cogitam uma paralisação nacional.

Segundo o parlamentar, era evidente que a guerra entre Irã e Israel aconteceria, e o governo brasileiro deveria ter feito acordos para facilitar a importação de diesel e impedir o aumento de preços no território nacional. Além disso, faltou o Executivo implementar medidas de fiscalização para que seja pago o piso mínimo do frete.

“Porque se você tem um diesel custando 8 reais, mas o seu km rodado está a 6 reais, você não fecha a conta. Então o caminhoneiro, naturalmente, se obriga a parar, porque ele não consegue pagar essa conta, não consegue nem fazer a entrega dessa mercadoria. O governo dificultou muito isso”, pontua o parlamentar, que busca agora uma reunião emergencial com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republianos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar da possível paralisação da categoria.

Caminhoneiro, Zé Trovão é presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e da Frente Parlamentar das Cooperativas de Transporte Rodoviário de Cargas. Ele é deputado federal por Santa Cararina desde 2023. Em 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), participou da grande greve dos caminhoneiros.

Em 2021, ganhou notoriedade ao convocar integrantes da categoria a promoverem mobilizações, em protesto conta o Supremo Tribunal Federal (STF) e em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Zé Trovão chegou a ser investigado em inquérito no STF sobre a convocação da população, por meio das redes sociais, para a prática de atos criminosos e violentos de protesto, às vésperas do feriado de 7 de setembro de 2021.

O ministro Alexandre de Moraes chegou a decretar a prisão preventiva dele naquele ano. Trovão fugiu para o México, mas foi preso em outubro de 2021, ao retornar ao Brasil. Em dezembro daquele ano, a prisão preventiva foi convertida em domiciliar e depois substituída por medidas cautelares diversas da prisão.

Após a eleição dele como deputado federal, as cautelares foram readequadas, mas foram mantidos o uso de tornozeleira e a proibição de frequentar redes sociais e de conceder entrevistas sem autorização do STF.

Em maio de 2023, Moraes revogou essas medidas, atendendo a um pedido da defesa.

Reivindicações dos caminhoneiros

Zé Trovão ressalta que o Brasil precisa também investir para se tornar autossuficiente na produção de diesel, para tornar o combustível mais barato.

Mas no curto prazo, para impedir uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros, ele ressalta que o governo precisa garantir o pagamento do piso mínimo do frete e do vale-pedágio e derrubar uma resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que prevê cobrar do motorista autônomo um segundo seguro para uma carga já tem seguro.

“Então, são os três pontos que seriam para mitigar e acabar com essa greve de momento. E aí, depois, resolver todos os outros problemas, que eu tenho uma lista gigantesca de problemas, que só podem ser resolvidos através de normativas e leis construídas através desta Casa e em parceria com o governo”.

Reunião com Motta e Alcolumbre

Zé Trovão enviou um ofício a Motta e a Alcolumbre pedindo uma reunião emergencial para decidirem, em conjunto, o que fazer para evitar uma paralisação dos caminhoneiros.

“O governo acaba de anunciar que vai lançar uma Medida Provisória garantindo que seja pago o piso mínimo, que seja pago o vale-pedágio e que não tenha cobrança desse segundo seguro, que é um dos maiores absurdos”, acrescenta o parlamentar.

“Tendo essa MP, ela vem para a Câmara dos Deputados, onde nós vamos apreciá-la, e aí eu estou solicitando para que eu seja o relator dessa matéria, até porque eu sou o único caminhoneiro desta Casa e tenho um entendimento sobre essa matéria, para que a gente toque isso e resolva esse problema de imediato. É um problema que a gente pode resolver em 15, 20 dias no máximo”.

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Comentários (1)

Jorge Irineu Hosang

19.03.2026 08:35

Alguém já avisou esse cidadão que é de extrema falta de educação usar chapéu ao estar em ambiente fechado e sentado à uma mesa, seja para comer ou para uma reunião?


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