Crusoé: As fake news de Moraes
Ministro que perseguiu "redes de desinformação" por anos agora se beneficia de mentiras e meias verdades ao tentar evitar investigação
Há uma ironia trágica em meio ao caos que se instalou no Supremo Tribunal Federal (STF) com a perspectiva de investigação de Alexandre de Moraes por causa do caso do Banco Master.
Depois de passar mais de sete anos apontando redes de desinformação que atuariam para atacar o STF, como relator do inquérito das fake news, Moraes passou a disseminar suas próprias fake news, e contra um ministro do Supremo, para tentar se defender das suspeitas que o rondam.
O ex-relator do inquérito das fake news fez suposições contra o colega André Mendonça que se encaixam perfeitamente nos conceitos de fake news e pós-verdade, que se consolidaram a partir de 2016, com a ascensão de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos: informações distorcidas que circulam em narrativas maliciosas para beneficiar um determinado grupo político.
Ainda que, de fato, boa parte do debate público esteja poluído por mentiras e meias verdades, especialmente nas redes sociais, essas expressões acabaram se tornando muletas para tentar bloquear discussões legítimas e, no caso do STF, proteger autoridades questionadas publicamente, como ocorreu no caso da censura de reportagem de Crusoé pelo próprio Moraes.
Provavelmente?
Ao tentar se defender do relatório da Polícia Federal que o expôs em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Moraes insinuou que algum órgão estrangeiro pode ter atuado para confeccioná-lo.
“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”, disse o ministro ao responder a pedido de manifestação do presidente do STF, Edson Fachin…
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Comentários (1)
Mariad
18.09.2026 14:23Cada um mede o outro pela sua régua.