“Dark Horse”: petista pede investigação de Tarcísio por possível obstrução
Paulo Teixeira solicita ampliação da apuração do caso "Dark Horse" e aponta falhas na custódia e no compartilhamento de provas
O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no domingo, 13, que a investigação relacionada ao caso “Dark Horse” seja ampliada para apurar uma possível obstrução de Justiça envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e integrantes da Polícia Civil paulista.
Na petição, o parlamentar questiona a preservação e o encaminhamento das provas colhidas na Operação Wi-Fi, da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A operação foi deflagrada em 1º de junho de 2026 para investigar suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato firmado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina da Gama – que comanda a Go Up, produtora de “Dark Horse” -, com a prefeitura de São Paulo.
Teixeira apresenta a hipótese de que a diligência estadual, antecipando-se à apuração federal sobre o mesmo núcleo de fatos, “tenha produzido a ciência prévia dos investigados quanto ao objeto da apuração e, somada ao modo como o material apreendido foi acondicionado e custodiado, lhes tenha aberto oportunidade material de depuração do acervo probatório, em prejuízo da investigação que tramita sob a relatoria de Flávio Dino”.
Na semana passada, Dino retirou da Polícia Civil de São Paulo a investigação relacionada à Operação Wi-Fi. O ministro centralizou a investigação no STF, sob sua supervisão. A medida foi determinada na mesma decisão em que o magistrado autorização a Operação Make Up, da Polícia Federal (PF).
A Make Up foi deflagrada para apurar suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, para a produção de “Dark Horse“, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Teixeira, consta na decisão de Dino que indícios de manipulação documental surgiram após a deflagração da operação estadual e no curso das atividades de auditoria, com a identificação de comunicações, arquivos eletrônicos, versões de documentos, registros de edição e armazenamentos em nuvem produzidos depois da primeira diligência.
“Consignou-se, ali, que parcela relevante da prova buscada em setembro sequer existia, ou não era conhecida, quando da busca realizada em junho de 2026. O registro comporta duas leituras e apenas a investigação pode escolher entre elas. A primeira é a de que a diligência estadual foi regular e que a manipulação subsequente é obra exclusiva dos investigados, que dela se aproveitaram”, prossegue.
“A segunda é a de que a antecipação da diligência, sobre alvos que já interessavam à apuração federal, cumpriu a função de alertar o núcleo investigado e de lhe abrir a janela temporal em que a documentação veio a ser reconstruída. O que se requer é que essa segunda leitura deixe de ser conjectura de debate público e passe a ser objeto de apuração formal“.
Teixeira também pontua que, no domingo, 13, veio à público documento da própria Polícia Civil de São Paulo no qual consta que o Instituto de Criminalística recusou, em junho de 2026, o recebimento de ao menos 17 aparelhos apreendidos na Operação Wi-Fi, por falha nos lacres de apreensão.
“Entre os recusados estão aparelhos apreendidos em endereços diretamente vinculados à empresária alvo da diligência. O fundamento técnico da recusa é o que confere gravidade ao episódio. Em ao menos treze itens, o exame pericial registrou que os lacres apresentavam vão suficiente para a entrada de cabo de alimentação e de transferência de dados, de modo que era possível a manipulação dos dados no interior dos aparelhos”.
Dessa forma, diz o deputado, não se trata de vício formal de etiquetagem, mas sim do registro pericial de que os invólucros, do modo como foram confeccionados pela autoridade policial estadual, admitiam acesso ao conteúdo dos dispositivos sem rompimento aparente.
“Os aparelhos foram então devolvidos à unidade policial para readequação dos lacres, o que se deu cerca de sete dias após a apreensão. Durante esse intervalo, portanto, dispositivos que constituíam a prova central da apuração permaneceram fora da custódia pericial e acondicionados de forma que o próprio Instituto de Criminalística considerou insuficiente para impedir a manipulação de seu conteúdo”.
Conforme o petista, “a coincidência temporal entre esse intervalo e o período em que, segundo a Polícia Federal, passam a aparecer arquivos, versões e registros de edição posteriores à primeira diligência não pode ser tratada como acaso sem que antes se apure“.
Ele ressalta que ou “houve falha grosseira e reiterada de uma das maiores polícias judiciárias do país em procedimento elementar, o que já reclamaria apuração correicional, ou houve deliberação“.
Pedidos
Paulo Teixeira, que é candidato à reeleição e foi ministro do Desenvolvimento Agrário de Lula (PT), pede a ampliação do objeto da apuração sobre emendas para que nele se compreendam as circunstâncias da deflagração da Operação Wi-Fi, a lacração e a custódia do acervo então apreendido e a cadeia de comando administrativa e política de que provieram.
O petista requer que seja apurada a conduta de Tarcísio, do secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Gonçalves e do delegado-geral de Polícia do Estado de São Paulo, Artur José Dian quanto ao crime de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa. Conforme o resultado das diligências, o deputado solicita que sejam apuradas as condutas deles quanto aos crimes de fraude processual e prevaricação também.
Além disso, Teixeira pede que Dino determine, entre outras medidas, a requisição à Secretaria de Segurança Pública e à Polícia Civil do Estado de São Paulo do inteiro teor do procedimento que antecedeu a Operação Wi-Fi.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
LEDI MACHADO DOS SANTOS
14.09.2026 15:45O desespero da PeTralhada é grande! Tarcísio reeleito no 1° Turno!