Dennys Xavier na Crusoé: Votar nulo faz sentido
Quando todas as alternativas disponíveis exigem algum comprometimento com algo eticamente condenável
A vida moral pode colocar o indivíduo diante de circunstâncias nas quais todas as alternativas disponíveis teimam em exigir algum comprometimento com aquilo que considera eticamente condenável.
O exame cuidadoso das possibilidades, em vez de conduzir a uma decisão, pode aprofundar o impasse.
Quanto mais se compreendem as implicações de cada caminho, mais difícil se torna encontrar uma escolha compatível com os princípios que orientam a própria existência.
Surge, então, uma aporia moral: a razão reconhece a exigência prática de decidir, mas encontra obstáculos para conceder assentimento a qualquer das opções apresentadas.
O indivíduo permanece diante de uma situação que evoca exigência de resposta, embora sua consciência não encontre fundamentos suficientes para justificar aquilo que lhe é solicitado.
Costuma-se afirmar que, diante de dois males, devemos escolher o menor. Em tempos de eleições deploráveis como a que enfrentamos, tornou-se uma máxima vulgar.
A proposição, vá lá, parece razoável quando tratamos de prejuízos mensuráveis, perdas materiais ou consequências que admitem alguma comparação objetiva. Entretanto, sua aplicação ao domínio moral exige cuidados que são negligenciados.
Nem toda diferença de intensidade entre dois males transforma o menos grave em algo eticamente aceitável.
Uma injustiça pode ser menor que outra e continuar sendo uma gravíssima injustiça. A comparação entre alternativas permite estabelecer diferenças dosimétricas, mas não resolve, por si mesma, a questão do consentimento.
Quem reconhece determinada ação como moralmente condenável pode compreender que ela produziria consequências menos prejudiciais e, ainda assim, encontrar razões para não lhe conceder aprovação.
A consciência moral tem uma dimensão que ultrapassa a avaliação pragmática dos resultados.
Nossas escolhas também expressam aquilo que estamos dispostos a admitir como fundamento de nossa conduta.
Ao decidir…
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Comentários (1)
Pedro Boer
18.10.2026 13:57Muito blá blá blá. Tudo isso se resolveria com DEMOCRACIA PLENA; voto NÃO obrigatório e distrital.