Diálogo mostra negociação de armas entre Tren de Aragua e Comando Vermelho
Facção venezuelana consolidou presença em Roraima e expandiu atuação para estados do sul
Um diálogo interceptado pela Polícia Civil de Roraima revela negociações entre integrantes da facção venezuelana Tren de Aragua e do Comando Vermelho para a venda e o transporte de armas ao Rio de Janeiro.
Nas mensagens, divulgadas neste domingo, 5, pelo jornal O Globo, um criminoso reclama do custo do frete, mas recebe do líder do grupo no Brasil a resposta de que o valor já era o menor possível.
“C., meu irmão, você é o que está saindo com o frete mais barato. Porque está pagando só uma porcentagem para os caras que dirigem. Imagina quando antes pagava o frete completo, mano”, diz Antônio Cabrera Soterano, o Tio Antônio, chefe do grupo venezuelano no Brasil.
O diálogo, segundo o jornal carioca, ocorreu em novembro de 2024.
Expansão no Brasil
Segundo as investigações, o Tren de Aragua consolidou sua presença em Roraima e expandiu a atuação para estados do sul, além de manter integrantes ou associados no Amazonas, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A facção também recruta imigrantes venezuelanos e brasileiros e disputa rotas do tráfico, garimpos ilegais e pontos de prostituição.
De acordo com o delegado Wesley Costa de Oliveira, da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco) de Roraima, o grupo aproveita o fluxo migratório para se infiltrar em comunidades de venezuelanos e tem interesse estratégico na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Armas e lavagem de dinheiro
A investigação aponta que o Tren de Aragua se tornou um dos principais fornecedores de armamentos para o Comando Vermelho, com negociações envolvendo fuzis, metralhadoras e lança-granadas destinados a integrantes da facção no Rio de Janeiro e no Amazonas.
Os investigadores também identificaram um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava depósitos fracionados, criptomoedas e empresas de fachada.
Segundo a apuração, a organização movimentou mais de R$ 6 bilhões, dos quais R$ 428 milhões foram relacionados a transações ilícitas.
Após a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o Niño Guerrero, apontado como líder máximo da facção, autoridades brasileiras temem que integrantes do grupo migrem para Roraima.
Leia também: Quem era Niño Guerrero, morto em operação anunciada por Trump
Tren de Aragua
Em 16 de junho, a Polícia Civil de Roraima deflagrou a Operação Rota do Norte para desarticular um núcleo da Tren de Aragua investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fornecimento de armas ao Comando Vermelho.
A ação cumpriu 25 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão em seis estados.
Segundo a investigação, o grupo abastecia facções com fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas e atuava tanto no braço operacional quanto no financeiro da organização criminosa.
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Comentários (2)
Marian
05.07.2026 10:44Sinal verde para os EUA agirem. Posso imaginar o que essa união poderá fazer com o nosso país.
Claudemir Silvestre
05.07.2026 09:22Não mexam com os bandidos coitadinhos do LULA !!! LULA vai ficar muito bravo de ficar perseguindo os “bandidos de estimação “ dele !!