Diálogos de Vorcaro indicam socorro do BRB ao Master antes de negociação
Conversas com ex-sócio revelam pressão por repasses e dificuldades de liquidez do banco de Vorcaro
Diálogos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro (foto) mostram que o Banco Master recorreu a aportes do Banco de Brasília (BRB) desde meados de 2024 para enfrentar problemas de liquidez.
As mensagens, obtidas pelo Estadão, foram trocadas principalmente com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, e indicam pedidos frequentes de apoio financeiro antes mesmo do anúncio de compra de parte da instituição, feito em março de 2025.
Nas conversas, Vorcaro pressiona Lima para viabilizar repasses do BRB e demonstra preocupação com o caixa.
Em uma delas, menciona a possibilidade de recorrer ao “depósito compulsório” caso o dinheiro não chegasse:
“Tem notícia do BRB? Se não vier vou ter que devolver a grana de sexta e vamos usar compulsório hoje.”
Pressão por recursos
As mensagens mostram cobranças constantes por respostas e prazos.
Em setembro de 2024, Vorcaro insiste em uma definição sobre uma operação:
“Irmão, preciso saber se eles vão fazer ou não. Já tem 15 dias esse negócio do ccb (Cédula de Crédito Bancário). Se for agarrar e não sair agora preciso saber, depois te explico.”
Lima responde que buscaria uma atualização junto ao banco.
Em diferentes momentos, Vorcaro relata dificuldades financeiras e afirma que precisava “por uns 600 mm [milhões] no caixa. Pra resolver tudo nosso”.
Em outra mensagem, ele menciona a possibilidade de recorrer ao depósito compulsório caso os recursos não fossem liberados.
Propina a ex-chefe do BRB?
Segundo a PF, Vorcaro prometeu 146,5 milhões de reais em propinas ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
O executivo foi preso na última quinta-feira, 16, na quarta fase da Operação Compliance Zero.
Segundo as investigações, o montante seria repassado a Paulo Henrique Costa por meio de seis imóveis de luxo, quatro em São Paulo e dois em Brasília, que foram ocultados pelo ex-presidente do BRB.
“Para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela REAG, bem como empresas de fachada, atribuídas formalmente a interpostas pessoas, entre elas o cunhado de DANIEL MONTEIRO”, diz a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
“A investigação identificou seis imóveis vinculados ao chamado ‘cronograma pessoal’ de Paulo Henrique: Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer, Ennius Muniz e Valle dos Ipês, com pagamentos já rastreados em montante superior a R$ 74 milhões”, acrescentou.
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