“Dilma nunca mais falou comigo após o impeachment”, diz Temer
Ex-presidente também classificou os atos de 8 de Janeiro como tentativa de golpe e saiu em defesa do Supremo Tribunal Federal
Dez anos após o processo que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que nunca mais voltou a conversar com sua antiga companheira de chapa. Em entrevista concedida nesta segunda-feira, 6, o emedebista disse que a ruptura entre os dois se consolidou após uma declaração pública em que elogiou a honestidade da petista.
Segundo Temer, a reação de Dilma o surpreendeu. Ele relembrou que, ao comentar o caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, afirmou que a ex-presidente era uma pessoa “honestíssima”. A declaração foi respondida por Dilma, em 2022, por meio de uma nota pública, na qual disse não admitir que sua imagem fosse utilizada para tentar “limpar” a condição de “golpista” atribuída ao ex-presidente.
“A partir daí nunca mais ela falou comigo. Eu até prometi que não faria mais essa ‘acusação’ de chamá-la de honesta”, afirmou Temer em tom de ironia.
O ex-presidente também recordou que, ao assumir interinamente o Palácio do Planalto em 2016, procurou manter uma postura institucional em relação à então presidente afastada, ressaltando o respeito ao cargo que ela ocupava.
Durante a entrevista, Temer também comentou os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, classificando os atos como uma tentativa de golpe de Estado.
Para o emedebista, ainda que o movimento não tenha contado com apoio das Forças Armadas, houve a intenção clara de romper a ordem democrática.
“Houve intenção de golpe, sem dúvida. A invasão foi dirigida aos prédios que representam os Poderes da República. Isso caracteriza uma tentativa de golpe”, afirmou.
Temer também saiu em defesa do Supremo Tribunal Federal e do ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, decisões da Corte podem ser criticadas, mas as competências constitucionais do STF não devem ser colocadas em dúvida.
“O mérito pode ser discutido. O que não pode ser questionado são as competências previstas na Constituição”, declarou.
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Comentários (1)
Annie
07.07.2026 13:22Que sorte a dele!