Eleição de 2026 pode marcar aposentadoria compulsória de Lula
Chefe do Executivo completa 40 anos após sua primeira eleição justamente neste ano em que enfrenta um novato na disputa presidencial
O presidente Lula chegou ao segundo turno da eleição de 2026 diante de uma situação que nem o petista mais pessimista poderia imaginar: aos 80 anos, o político que ficou mais tempo no poder após a redemocratização sofre uma ameaça concreta de ser derrotado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Um parlamentar de baixo clero, e que está em sua primeira eleição presidencial.
A votação deste domingo, 25, pode produzir um dos desfechos mais simbólicos da história política brasileira. Se vencer, Lula será eleito pela quarta vez para a Presidência — depois de ter governado o país entre 2003 e 2010 e desde 2023. Se perder, deixará o cargo aos 81 anos depois de uma trajetória que já dura 40 anos na vida pública.
Entre os presidentes da República, Lula só perde para Getúlio Vargas, que foi presidente durante 18 anos e meio. E desde a redemocratização, Lula só não disputou uma eleição presidencial em apenas três oportunidades: em 2010, fez a sua sucessora, Dilma Rousseff; em 2014, Dilma disputou a reeleição e em 2018, Lula chegou a registrar sua candidatura, mas ela foi barrada por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O petista cumpria pena decorrente de condenações da operação Lava Jato.
Flávio chegou ao segundo turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na reta final, a maioria dos levantamentos divulgados entre 12 e 22 de outubro registrou vantagem numérica do senador, embora dentro ou próxima das margens de erro.
A trajetória de Lula até sua possível aposentadoria
Nascido em Garanhuns (PE), em 1945, o petista migrou ainda criança para São Paulo. Tornou-se torneiro mecânico e ganhou projeção nacional como líder sindical no ABC paulista durante as grandes greves do fim dos anos 1970.
Em 1980, participou da fundação do PT. Seis anos depois, foi eleito deputado federal e participou da Assembleia Constituinte de 1987-1988.
A Presidência, entretanto, demoraria mais de uma década para chegar.
Lula disputou a eleição presidencial de 1989 e perdeu no segundo turno para Fernando Collor. Em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso ainda no primeiro turno.
A quarta tentativa, em 2002, mudou sua trajetória.
Com uma campanha que buscou ampliar seu diálogo com setores empresariais e com o eleitorado de centro, Lula venceu José Serra (PSDB) e assumiu a Presidência em janeiro de 2003.
Os anos de governo Lula
Os oito anos de governo transformaram Lula na figura mais importante da esquerda brasileira.
Lula deixou o governo em 2010 com alta popularidade e conseguiu eleger Dilma Rousseff como sua sucessora.
Mas, mesmo com alta popularidade, Lula foi obrigado a enfrentar uma sequência de escândalos de corrupção.
O PT foi atingido em 2005 pelo escândalo do mensalão. Lula conseguiu sobreviver politicamente à crise e foi reeleito em 2006. Anos depois, a Operação Lava Jato atingiria diretamente o próprio ex-presidente.
As condenações do petista e o triplex do Guarujá
Lula foi condenado em processos relacionados ao tríplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia. Em abril de 2018, depois de uma condenação em segunda instância, foi preso em Curitiba e ficou 580 dias detido.
Em 2021, o STF anulou as condenações por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos. Posteriormente, o Supremo também declarou a parcialidade do então juiz Sergio Moro – e hoje governador eleito pelo Paraná – no processo do tríplex.
Lula recuperou os direitos políticos e voltou à disputa presidencial em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno com 50,9% dos votos válidos contra 49,1%.
O terceiro governo, porém, não reproduziu integralmente o cenário de popularidade do período 2003-2010.
A avaliação do governo tornou-se um dos fatores centrais da eleição de 2026. Agora, Lula pode ser ‘demitido’ pelo povo brasileiro. Um sinal do cansaço do brasileiro com uma figura que não soube declarar sua aposentadoria na hora certa.
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Comentários (2)
Ita
25.10.2026 10:10Aposentar com salários altíssimos. Mais despesas para a Nação. Aliás , nossas despesas com ex presidentes é enorme. Temos que pedir ajuda ao Criador para resolver isso.
Assim esperamos... Porq ele mesmo, acostumou-se à boa vida e não quer nem largar o osso e nem passar o bastão!