Enviado de Putin discute cooperação com Lula
Nikolai Patrushev, assessor do ditador russo, cumpriu agenda de dois dias em Brasília e no RJ, com foco em parcerias estratégicas
Nikolai Patrushev, assessor político do ditador russo Vladimir Putin, esteve no Brasil por dois dias nesta semana, com passagens por Brasília e pelo Rio de Janeiro.
Ex-diretor do FSB (serviço de segurança sucessor da KGB) e ex-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com uma série de autoridades do governo brasileiro. Lula e Putin haviam conversado por telefone na terça-feira, dia 3.
Encontros em Brasília
Além do presidente Lula, Patrushev se reuniu com o chefe da Assessoria Especial da Presidência, embaixador Celso Amorim; o ministro da Defesa, José Múcio; o comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen; a secretária-geral das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha; e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rodrigo Zerbone Loureiro. Um almoço de trabalho reuniu parte desses interlocutores no Itamaraty.
Segundo o Palácio do Planalto, o encontro teve como objetivo “intensificar a cooperação em temas como energia, ciência e tecnologia e na área naval”.
A nota oficial do governo brasileiro acrescentou que Lula “sublinhou a importância do comércio entre os dois países, com ênfase especial no fornecimento de diesel e fertilizantes” e defendeu “maior equilíbrio no intercâmbio comercial, com aumento das exportações brasileiras para a Rússia”.
Do lado russo, Putin classificou a disposição brasileira de colaborar na busca de uma saída negociada para o conflito com a Ucrânia como motivo de reconhecimento.
Segundo comunicado do Kremlin, o ditador russo “expressou gratidão” ao presidente brasileiro “pela vontade em auxiliar na busca de uma solução política e diplomática para o conflito ucraniano”.
Interesse em energia nuclear e catamarãs solares
Um dos temas discutidos foi a colaboração científica voltada à energia nuclear, com o Brasil buscando conhecimento técnico russo sobre pequenos reatores. A conversa teve como pano de fundo o programa brasileiro de construção de um submarino de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto, desenvolvido em parceria com a França.
Patrushev também apresentou aos anfitriões brasileiros a tecnologia de catamarãs russos movidos a energia solar, apontados como possível alternativa para o transporte fluvial na região amazônica. Segundo relato de participantes das reuniões ao Estadão, os dois países discutiram ainda o estímulo ao intercâmbio tecnológico na indústria naval, incluindo construção de embarcações e atividades pesqueiras.
De acordo com a agência estatal russa Tass, Patrushev manifestou interesse em fornecer tecnologia para a construção naval brasileira e ampliar a capacidade de produção de equipamentos usados na extração de petróleo e em campos petrolíferos.
Ele mencionou também a possibilidade de envolver a Corporação Unida de Construção Naval da Rússia (USC) na fabricação de navios de grande porte destinados à importação de grãos, além da modernização de estaleiros para embarcações menores e da frota pesqueira.
Com o Ministério dos Portos e Aeroportos, o tema em pauta foram as “perspectivas para empresas de logística e melhoria da eficiência do transporte marítimo”, segundo informou a embaixada russa no Brasil.
Comércio de combustíveis e reação da oposição
A Rússia figura hoje entre os principais fornecedores de diesel ao país e mantém posição de destaque no fornecimento de fertilizantes, ainda que enfrente restrições internacionais decorrentes da guerra na Ucrânia, o que a leva a recorrer a frotas alternativas para contornar sanções.
A passagem de Patrushev pelo Brasil deu sequência à viagem que Celso Amorim fez a Moscou em maio, quando participou do Fórum Internacional de Segurança e já havia se encontrado com o assessor russo. Depois de Brasília, Patrushev seguiu para o Rio de Janeiro, onde visitou instalações da Marinha — agenda cujos detalhes não foram confirmados pela força nem pelo Ministério da Defesa até a publicação da reportagem original.
A viagem também gerou reação de parlamentares de oposição. O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, disse ao Estadão que via na visita pouca transparência e associou o episódio ao momento de desgaste entre os governos brasileiro e norte-americano.
“Para mim, fica muito claro o que estão esperando desse processo eleitoral. Na minha opinião, estamos em uma ‘guerra fria’ com os Estados Unidos. E em virtude dela estão dobrando, triplicando a aposta para esse governo ficar”, afirmou o deputado, referindo-se à disputa pela reeleição de Lula.
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Comentários (1)
Claudemir Silvestre
07.08.2026 09:41Depois estes COMUNISTAS não sabem porque Trump taxou o Brasil e endurece as regras no serviço migratório 🤷🏻