Ex-noiva de Vorcaro não é localizada e deve faltar à CPI do Crime Organizado
Mesmo sem Martha Graeff, Comissão mantém agenda e prevê ouvir ex-governador de Mato Grosso
A CPI do Crime Organizado deve enfrentar mais um obstáculo de agenda nesta quarta-feira, 25. Convocada pelo colegiado, Martha Graeff, apontada como ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro, não foi localizada e, na prática, deve faltar à oitiva prevista. A ausência ocorre em meio ao avanço das investigações que buscam mapear relações pessoais e financeiras no entorno de Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão de convocar Graeff teve como base informações obtidas pela Polícia Federal e pedidos apresentados pelos senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Alessandro Vieira (MDB-SE). No conjunto de elementos examinados pela CPI, ela aparece associada a comunicações atribuídas a Vorcaro, registradas entre 2024 e 2025, nas quais o empresário detalha agendas, deslocamentos e articulações, incluindo referências a contatos com integrantes dos três Poderes.
Entre os nomes previstos para esta quarta também está o do ex-governador de Mato Grosso, José Pedro Gonçalves Taques, cuja oitiva foi aprovada sob o argumento de que pode contribuir para esclarecer a extensão das condutas investigadas no âmbito do grupo controlador do Banco Master, atingido por medidas judiciais na Operação Compliance Zero.
Na justificativa da convocação, a comissão sustenta que a trajetória de Taques, como ex-senador, ex-governador e membro do Ministério Público, lhe confere conhecimento técnico sobre o funcionamento do aparato estatal e sobre as conexões entre o sistema financeiro e a administração pública. Para os parlamentares, esse perfil torna o depoimento relevante, especialmente no que diz respeito ao funcionamento do crédito consignado voltado a servidores públicos.
O ex-governador também passou a atuar como representante de entidades sindicais de servidores estaduais em denúncias relacionadas a possíveis irregularidades no consignado em Mato Grosso. Segundo a CPI, os relatos indicam indícios de fraudes em contratos firmados com a empresa Capital Consig, com prejuízos estimados que teriam atingido cerca de 14 mil servidores.
A comissão afirma que o depoimento pode ajudar a esclarecer como instituições financeiras conseguiram operar volumes expressivos de crédito consignado em ambientes considerados frágeis do ponto de vista regulatório. Os parlamentares também querem entender se houve uso dessas estruturas para práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro, ou eventual influência política na manutenção de contratos.
Nos bastidores, integrantes da CPI avaliam que, mesmo com a ausência de personagens próximos ao núcleo investigado, como Graeff, o avanço das oitivas e a análise de dados sigilosos devem sustentar as próximas etapas da investigação. A comissão também não descarta novas tentativas de intimação para garantir o comparecimento de convocados considerados estratégicos.
Leia mais: Vorcaro transferiu mais de R$ 520 milhões para ex-noiva via trust nos EUA
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Comentários (1)
Otreblig50
25.03.2026 11:13O Amor ACABOU ????