Fachin tenta conter crise entre Mendonça e PF
Presidente do STF articula solução para impasse gerado por queixas cruzadas entre o ministro e a cúpula da corporação policial
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, comunicou a pessoas de seu círculo que não pretende recuar no atrito com a Polícia Federal relacionado aos inquéritos que apuram o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha.
O presidente da Corte, Edson Fachin, passou a semana tentando articular uma saída para o impasse, que já preocupa o Supremo pela possibilidade de agravamento.
Origem da disputa
O desentendimento tem como pano de fundo a Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. Mendonça relata insatisfação com o ritmo das apurações e suspeita de que exista esforço para blindar familiares e aliados do presidente Lula, candidato à reeleição em 2026.
A Polícia Federal, de outro lado, considera que o ministro extrapola sua função de relator ao interferir na condução técnica dos trabalhos — como ao exigir ser avisado previamente sobre qualquer alteração na equipe de investigadores.
Segundo relato dos bastidores do STF, integrantes da cúpula da corporação apontam que o pedido de abertura de três novas frentes contra Lulinha, somado a uma operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) no caso do Banco Master, comprovaria isenção nas investigações.
Também afirmam que Mendonça autorizou diligências contra Wagner em prazo menor do que usou para medidas envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre eles o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o ex-governador fluminense Cláudio Castro.
Mediação e resistência ao acordo
Fachin reuniu-se na semana anterior com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em encontros descritos como tentativa de aproximar as partes. Apesar disso, cresceu nos dias seguintes o temor de que Mendonça adotasse decisões mais duras.
Um ministro da corte chegou a alertar Fachin sobre a hipótese de Mendonça sofrer influência de delegados da PF lotados em seu gabinete, críticos da gestão de Andrei Rodrigues à frente da corporação. O relator da operação, segundo pessoas próximas, sustenta atuar “com cautela e independência” e diz que seu objetivo é “garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal”.
No início de agosto, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, promoveu uma audiência entre Mendonça e o ministro da Justiça, na qual o magistrado se mostrou aberto à recomposição. Atualmente, porém, ele afirma não enxergar mais espaço para entendimento.
Diante da resistência de Messias em apresentar recurso formal contra decisões de Mendonça — por avaliar que a solução deve ser política, e não jurídica —, cresce a avaliação de que Fachin, por seu perfil conciliador, é o interlocutor mais indicado para destravar o diálogo.
Os 27 superintendentes da PF divulgaram nota em defesa do diretor-geral, na qual classificam como indispensável “a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades”.
Nesta sexta-feira, 28, Andrei Rodrigues declarou que “a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender a instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”, sem mencionar diretamente o ministro do STF.
Em entrevista à TV Globo na quinta-feira, 27, o presidente Lula classificou as apurações sobre tráfico de influência envolvendo o filho como “ilações tiradas de telefonemas”, mas disse que Lulinha “precisa se defender” e negou que o governo vá agir para protegê-lo.
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Comentários (1)
Andre Luis Dos Santos
28.08.2026 21:26Quando é o Xandao que "extrapola suas atribuições", ai não tem nenhum problema.