Flávio, a sombra de Bolsonaro e os restos da Seleção
Périplo do filho do ex-presidente da República é marcado por uma tentativa de resgatar a imagem do pai preso por determinação de Moraes
Apesar de aparecer tecnicamente empatado com o presidente Lula nas principais pesquisas de intenção de voto, Flávio Bolsonaro (PL) ainda parece refém da sombra do próprio pai em suas andanças pelo país — sobretudo no Nordeste, região em que sua imagem é menos conhecida.
Ao longo desta semana, o filho de Jair Bolsonaro desembarcou no Rio Grande do Norte e no Maranhão. Em ambos os estados, porém, a presença política do pai pareceu mais forte do que a do próprio candidato à Presidência.
Em São Luís, Flávio reproduziu até o método de campanha que consagrou Jair Bolsonaro: as motociatas. Reuniu milhares de apoiadores pelas ruas da capital maranhense. Alguns, diga-se, sem capacete. Os órgãos de trânsito locais, ao menos aparentemente, preferiram não enxergar a infração.
O motivo é óbvio. São Luís é considerada a terceira maior capital petista do Nordeste. Em 2022, 60,38% dos eleitores votaram no PT; a capital maranhense ficou atrás apenas de Salvador (70,73%) e de Teresina (66,44%)
Mas foi na onipresença de Jair que a campanha do filho encontrou sua marca mais evidente. O ponto de chegada da motociata foi uma loja da Havan, do empresário Luciano Hang, antigo e um dos mais conhecidos apoiadores do ex-presidente. Ali, bolsonaristas estenderam uma faixa em defesa do legado de Jair, hoje preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes (STF).
Do alto de um trio elétrico, Flávio carregava durante o percurso um retrato presidencial do pai. A cena tinha algo de curioso: parecia uma homenagem póstuma a um político que ainda está vivo.
Jair também aparecia nos materiais distribuídos pelos candidatos a deputado estadual e federal que participavam do evento. Em diversos santinhos, estava ao lado do candidato local — e, não raro, também de Flávio. Uma espécie de padrinho eleitoral onipresente.
Nem os jingles escaparam da sombra paterna. Em São Luís, a organização recorreu a músicas que ficaram associadas a campanhas anteriores de Jair, como “Capitão do Povo”. Flávio, portanto, fazia campanha com a trilha sonora do pai.
Como manda o figurino bolsonarista, os apoiadores vestiram verde e amarelo, com a camisa da Seleção Brasileira. Melhor para o vendedor Fernando Miranda, que enxergou no evento uma oportunidade para desovar o estoque de uniformes encalhados da Copa deste ano.
“Soube do evento pela televisão. Agora é aproveitar”, disse ele à reportagem de O Antagonista.
E assim prossegue o périplo de Flávio pelo Nordeste: entre motociatas, jingles antigos, retratos presidenciais e camisas verde-amarelas, o candidato tenta construir uma candidatura própria enquanto permanece pendurado no nome do pai.
A campanha é de Flávio. A sombra, porém, continua sendo de Jair.
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Comentários (1)
Claudio Márcio Francisco
23.09.2026 07:42Devem estar sem assunto, qual o problema?