Gilmar cita “politização” no TSE após chamar Mendonça de “pixuleco eleitoral”
Decano defende que magistrados avaliem se têm condições de permanecer no tribunal eleitoral; Mendonça é vice-presidente do TSE
O ministro Gilmar Mendes (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste sábado, 19, que o principal risco à Justiça Eleitoral “vem de dentro” e defendeu que magistrados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, na visão dele, atuem de forma politizada avaliem se devem permanecer na Corte.
A declaração foi feita em meio ao embate público do decano do STF com o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE.
“Mais grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer. E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure”, escreveu Gilmar no X.
O ministro também afirmou que o STF continuará atuando como “instância de supervisão” do processo eleitoral, “intervindo sempre que necessário à preservação de seus próprios precedentes e da Constituição”.
A manifestação foi publicada após Gilmar mencionar riscos de interferência estrangeira e o uso de inteligência artificial nas eleições.
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“Pixuleco eleitoral”
A publicação foi feita poucos dias depois de Gilmar chamar Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”.
Mendonça foi responsável por retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne conversas envolvendo Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Gilmar criticou a decisão e afirmou que ela teria envolvido o Supremo de maneira indevida na campanha eleitoral. Mendonça respondeu que o sigilo foi retirado em decisão fundamentada e negou ter transformado o STF em “palanque”.
Em manifestação anterior, Mendonça também acusou Gilmar de tentar constrangê-lo durante o julgamento do caso Master.
O relator defendeu a legitimidade das divergências entre ministros e afirmou que a retirada do sigilo ocorreu dentro de suas atribuições.
Leia mais: O verdadeiro pixuleco eleitoral
STF como “supervisão”
No texto deste sábado, Gilmar também citou os riscos provocados pela inteligência artificial.
Segundo ele, novas ferramentas permitem produzir vídeos, áudios e peças de propaganda capazes de enganar eleitores e desequilibrar disputas.
O ministro mencionou ainda um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre possível interferência externa nas eleições.
Na avaliação expressa por Gilmar, porém, a politização da própria Justiça Eleitoral representa um risco mais grave.
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Comentários (1)
Rosa
20.09.2026 10:41Kkkkk