“Imagina que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual”, diz Gilmar
Ministro do STF criticou as sátiras feitas pelo ex-governador mineiro
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu às sátiras feitas pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em que bonecos caricatos imitam o próprio decano da Corte e o ministro Dias Toffoli conversando sobre o caso Master.
Em entrevista ao Metrópoles, Gilmar criticou a animação satírica e comparou os efeitos dela a uma eventual sátira feita sobre Zema em que o representaria como “homossexual”.
“De fato nós rimos, achamos engraçados. Agora, se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? O se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É é correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso. Só essa questão. É só isso. É isso que precisa ser avaliado”, afirmou Gilmar.
Gilmar também minimizou qualquer embate direto com o governador e disse não ver relevância em prolongar o debate.
“Eu não vou não ter nenhuma disputa com o governador. Eu acho simplesmente que é legítimo que o partido dele defenda o que quiser. Não há nenhuma relevância em relação a isso e o público, os eleitores, é que tomem as decisões e e e isso é absolutamente normal. E depois isso estará sempre sobre controle. Então, eu não vou ficar perdendo tempo com esse tipo de debate. Quando houver ofensa que mereça crítica judicial, o estado de direito está aí para responder, Mas eu acho até uma perda de de tempo ficar dialogando com esses tipos da política”, disse.
O estopim do confronto
A disputa teve origem em um vídeo divulgado por Zema no mês passado — e republicado na segunda-feira, 20, após a coluna Mônica Bergamo noticiar o pedido de Gilmar — em que bonecos caricatos imitam o próprio Gilmar Mendes e o ministro Dias Toffoli conversando sobre o caso Master.
Para Zema, enquadrar o conteúdo como desinformação representa uma restrição à liberdade de expressão: “Nós estamos vendo um atentado à democracia. Não se pode mais fazer caricatura, ser irônico”.
“Isso não pode ser feito, pelo que eu sei, na Coreia do Norte, em Cuba, em alguns regimes totalmente autoritários. Parece que estamos correndo risco neste momento de caminharmos nesse sentido”, afirmou.
Os intocáveis
Gilmar pediu a inclusão de Zema no interminável inquérito das fake news por causa de uma animação satírica na qual o ministro Dias Toffoli pede ajuda ao decano do STF após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra de sigilo da empresa Maridt. Toffoli é sócio dessa empresa, que fez negócios com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Em entrevista à TV Globo, o decano do STF disse que tem “a impressão de que o inquérito continua necessário”.
“E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado. Veja, por exemplo, a coragem, eu diria, a covardia do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crime. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta. Eu acho que foi um momento importante de o Supremo ter aberto o inquérito e mantê-lo pelo menos até as eleições. Acho que é relevante”, disse Gilmar.
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Comentários (1)
Claudemir Silvestre
23.04.2026 18:41Antes homossexual do que ladrão !!!