Indígenas invadem terminal da Cargill no Pará em protesto contra decreto de Lula
Multinacional aciona plano de emergência
Cerca de 2 mil indígenas ocuparam na madrugada deste sábado, 21, o terminal da Cargill em Santarém, no Pará, e interromperam as operações no local.
O protesto ocorre após 31 dias de mobilização no Baixo Tapajós contra decreto presidencial que incluiu trechos de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização.
Os manifestantes cobram a revogação do Decreto nº 12.600, que trata da hidrovia do Tapajós. Em carta aberta, o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns afirmou:
“Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta. Foi construída coletivamente, a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto nº 12.600, assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (…). Estamos aqui porque defendemos o direito de existir. Durante trinta dias aguardamos posicionamento oficial do Governo Federal.”
O grupo também afirma que pediu diálogo ao Planalto, à Casa Civil e ao Ministério dos Transportes.
O governo federal afirma que o decreto “não autoriza obras nem privatiza a Hidrovia do Rio Tapajós (…) O normativo trata exclusivamente da realização de estudos técnicos sobre uma possível concessão dos serviços de navegabilidade”.
Acrescenta que, “como gesto de diálogo”, suspendeu o pregão do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária e criou um grupo de trabalho com participação indígena.
Risco a funcionários
Em nota, a Cargill afirmou que acionou um plano de emergência e relatou dois episódios na sexta-feira, 20: depredação da fachada do escritório em São Paulo e invasão do terminal paraense, que já estava com a entrada de caminhões bloqueada.
A companhia disse ainda que funcionários buscaram abrigo e foram retirados com segurança.
A escalada inclui a interceptação de uma balsa de grãos nesta semana, acompanhada por Polícia Federal e Marinha.
A empresa afirmou já ter obtido ordem judicial de desocupação e disse manter contato com as autoridades para que a retirada ocorra “de forma ordeira e segura”.
Em 2025, o terminal de Santarém respondeu por mais de 70% do volume de grãos movimentado no porto, com 5,5 milhões de toneladas de soja e milho.
A Associação Brasileira dos Terminais Portuários repudiou os atos e pediu medidas imediatas para restabelecer a posse e a segurança das operações.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
22.02.2026 09:24Ah, que governo paz e amor…