Interrupção de aula de Haddad é “violência política da extrema-direita”, diz PT
Partido e reitoria da Universidade Estadual de Campinas, em SP, repudiaram confusão envolvendo pessoas ligadas ao MBL
O Partido dos Trabalhadores (PT) e a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) repudiaram, nesta sexta-feira, 3, em notas próprias, uma confusão envolvendo pessoas ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL) que interrompeu uma aula magna do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad na universidade na quinta, 2.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a aula magna sendo interrompida por um protesto por parte de integrantes do MBL. Na sequência, pessoas que estavam no local expulsam os manifestantes. Um dos manifestantes chegou a levar uma rasteira. Houve ainda troca de socos.
O PT classificou o episódio como “violência política” perpetrada por integrantes da “extrema-direita“ contra Haddad.
“O Partido dos Trabalhadores repudia os episódios de violência política perpetrados por integrantes da extrema direita contra o pré-candidato ao governo ao estado de SP do PT, Fernando Haddad”, inicia a nota, assinada pelo presidente nacional da sigla, Edinho Silva.
“Pela segunda vez, integrantes desse grupo político de extremistas provocam conflitos em atos do nosso pré-candidato. Haddad tem percorrido o estado com o objetivo que deveria ser de interesse de todos dispostos a disputar as eleições: debater propostas para o desenvolvimento econômico e social para todos os paulistas. É o que o PT defende nas eleições em todo país, um pleito com respeito ao eleitor e projetos para melhorar a vida do povo brasileiro”.
A nota prossegue: “Os dois atos de violência política usaram táticas semelhantes: são premeditados, com celulares gravando em diversos ângulos e com provocações para estimular conflitos violentos. Na democracia, as divergências são resolvidas no debate de ideias e não no estímulo à violência. O PT reitera o irrestrito apoio e solidariedade a Haddad e aos integrantes da pré-campanha e reafirma que não tolerará abusos e atos de violência e não se furtará de acionar as medidas cabíveis”.
A reitoria da Unicamp, por sua vez, condenou “veementemente os atos de violência e tumulto registrados no transcurso da aula magna realizada na noite de 2 de julho, no Teatro de Arena da Universidade“. “A interrupção, por meio de agressões, de uma atividade acadêmica aberta à comunidade é inaceitável e contraria os princípios mais fundamentais da instituição”.
A Unicamp disse ter compromisso histórico com a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o debate qualificado, valores que classifica como “essenciais de qualquer universidade pública e da própria democracia”. “Divergências políticas e ideológicas são bem-vindas e devem ser expressas dentro do respeito mútuo e das regras do debate acadêmico, jamais por meio de violência ou intimidação”.
A reitoria informou ainda que apura os fatos ocorridos e “adotará as medidas cabíveis, em conjunto com as instâncias internas competentes”. “A Universidade permanecerá um espaço livre, seguro e plural para a construção do conhecimento e o exercício da cidadania”.
Visão de Janaina
Por outro lado, para a vereadora de São Paulo Janaina Paschoal (PP), a manifestação na aula magna de Haddad “precisa ser vista com outros olhos“.
“Eu não gosto que ninguém seja hostilizado, nem impedido de falar. Mas a manifestação na palestra de Haddad precisa ser vista com outros olhos. Eu sou professora na USP, há mais de 20 anos, nunca falei sobre política ou eleição na sala de aula. Se quiser concorrer em outubro, preciso me afastar de todas as minhas atividades docentes por 90 dias. Não posso colocar os pés na Faculdade, sob pena de ficar inelegível”, escreveu a parlamentar.
“No entanto, dia sim, dia também, há quadros do PT e do PSOL dando palestras, aulas especiais, fazendo manifestações, em TODAS as unidades, de TODAS as Faculdades públicas. Isso não é justo! Nem bancas de mestrado e doutoramento, eu posso fazer nesse período! Eles fazem campanha aberta! Neste caso, a manifestação do MBL foi justa. Diretores e Reitores precisam garantir que a lei eleitoral seja observada também pela esquerda!”, complementou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Andre Luis dos Santos
03.07.2026 20:00Interessante e que quando e do outro lado, alguém de direita tentando dar uma aula ou palestra, e esquerdoides de merda fazendo o diabo pra impedir, ai sao "manifestantes do bem". Canalhice intelectual é foda.