Izabela Patriota na Crusoé: A farra das escolas de samba
Dinheiro público não deve financiar exaltação de governante em exercício
No Carnaval de 2026, a Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva.
A escola integra o Grupo Especial e participa do modelo oficial do Carnaval carioca organizado pela Liesa.
A discussão pública se concentrou na oportunidade política da homenagem em ano eleitoral. Mas o ponto mais relevante é outro: o financiamento.
As escolas do Grupo Especial operam com um modelo híbrido.
Há patrocínios privados, venda de fantasias, bilheteria e direitos de transmissão.
Mas também há dinheiro público.
Em 2026, houve repasses federais por meio da Embratur, agência pública de promoção do turismo, destinados ao conjunto das escolas via acordo com a Liesa.
Estados e municípios também destinam recursos ao Carnaval sob o argumento de fomento cultural e impacto econômico.
A Acadêmicos de Niterói, por estar no Grupo Especial, integra esse sistema.
Isso muda o debate.
Se o desfile fosse financiado exclusivamente com recursos privados, a discussão seria simples: liberdade cultural.
Uma escola pode homenagear Lula, Bolsonaro, Che Guevara ou Trump.
Quem discorda não compra ingresso, não patrocina, não apoia.
O problema começa quando há dinheiro público envolvido.
Quando o Estado financia manifestações culturais com conteúdo político ou moral, ele deixa de ser árbitro e passa a ser participante simbólico.
Quem discorda da narrativa não pode simplesmente optar por não pagar.
Dinheiro público não deve financiar exaltação de governante em exercício.
Não deve bancar campanha estética contra a família tradicional. Não deve promover agenda identitária. Não deve sustentar propaganda moral conservadora.
A ética estatal é laica e assim deve permanecer.
Isso não diz respeito apenas às escolas de samba.
Crucifixos em prédios públicos também levantam a mesma questão.
O Estado não deve sinalizar preferência religiosa ou moral.
Não deve comunicar, por símbolos ou por verbas…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Fabio
22.02.2026 05:57Se apenas gerar multa, vai ter valido a pena.