Leonardo Barreto na Crusoé: A burocratização do mal
No Brasil há quem faça, quem tolera e quem burocratiza a maldade "pelo bem das instituições"
O mal, ou a justificativa do mal, é uma questão filosófica que envolve a própria existência da civilização. Isso porque a civilização, diga-se, começa com o bem.
Tempos atrás, arqueólogos encontraram o registro da primeira pessoa tratada de um problema de perna quebrada. Num passado remoto, de luta feroz pela sobrevivência, essa situação seria sinônimo de morte para o infeliz acidentado.
Ao perceber que essa pessoa não havia sido abandonada, mas que foi cuidada e viveu, o arqueólogo declarou ter achado a primeira evidência material de uma civilização, que deveria ser entendida não como uma cidade ou um império, mas como um ato, uma boa ação.
Nesse contexto, uma ação má é, portanto, uma atitude anticivilizatória.
No universo do pensamento humano, o mal tem sido tratado de forma metafísica (o diabo) e de forma aplicada, buscando os motivos pelos quais as pessoas se associam a ele.
Há quem leve o debate para o lado da imperfeição humana, quem diz existir um relativismo ideológico sobre a própria ideia de mal e quem defende ser impossível compreendê-lo fora da lógica do poder.
Todas essas escolas trazem pensamentos graves. A mais chocante delas, no entanto, é aquela que discute o mal na sua trivialidade.
Essa é a sua versão mais perigosa porque chega sem ser notado, como diz John Milton — a encarnação do capiroto no filme O Advogado do Diabo —; ele ia para os julgamentos usando o metrô.
Nessa perspectiva, não é que o mal aconteça sozinho, mas ele se realiza de um jeito tal que parece “fazer parte da paisagem”…
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Comentários (1)
Pedro Boer
05.09.2026 19:32O homem bom quando pratica o mal e se arrepende. O homem mau pratica o mal e se insurge quando alguém sugere que se arrependa.