Leonardo Barreto na Crusoé: Ninguém segura a mão de ninguém
Os incentivos para uma delação premiada ocorrer agora são muito maiores, pois não há para quem recorrer
Após o desmonte da operação Lava-Jato, era difícil encontrar alguém que afirmasse que algo semelhante em termos de dimensão e de falta de controle pudesse ocorrer.
As condições que estavam presentes na Lava-Jato eram órgãos investigadores independentes (Judiciário, imprensa e CPIs), apoio massivo da opinião pública e ambiente de competição política.
Com a ampliação das denúncias e o início da estagnação econômica, o processo de depuração se tornou uma crise de governabilidade.
No caso atual, as comissões de inquérito e a atuação do Judiciário ganharam independência na medida em que a imprensa trabalhou de forma independente.
Há sensação no Congresso de que as CPIs ganharam vida própria e que a investigação, sob a relatoria de André Mendonça, será acelerada.
Existe, ainda, um elemento novo e simbolicamente importante. Diferente da Lava-Jato, que ocorreu em uma instância inferior, o caso Master roda na instância máxima.
Isso significa que, diferente da operação conduzida por Sergio Moro, as possibilidades de apelação e, principalmente, de anulação das investigações são muito baixas.
Objetivamente, está claro que os incentivos para uma delação premiada ocorrer agora são muito maiores, pois não há para quem recorrer.
Além disso, dois fatos recentes ganharam força para catalisar os eventos daqui para frente:
- A ameaça ao jornalista Lauro Jardim;
- A sensação de que a PGR fez pouco caso da situação.
A reação da PGR, de não dar importância ao caso, é mais importante para o desenrolar dos eventos do que a própria ameaça em si, pois suscita a reação indignada da mídia profissional.
Jornalistas e veículos se sentem duplamente ameaçados pelos investigados e pelas instituições responsáveis por protegê-los.
A reação natural quando a imprensa se torna parte da notícia é uma “radicalização” da cobertura, com uma investigação de culpados diretos e indiretos e construção de narrativas com heróis e vilões.
Se a imprensa aumenta a pressão, os agentes políticos eleitos reagem, pois percebem a oportunidade de visibilidade (“cheiro de sangue na água”), oriunda do provável aumento de interesse do público pelo tema.
Se a pressão em favor das CPIs já era grande, tende a se tornar…
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Comentários (1)
Marian
07.03.2026 11:02Mas avisaram que o Brasil havia voltado. Agora vemos que isso era a pura verdade.