Lula critica tarifaço de Trump e diz que Brasil “não será derrotado por mentiras”
Em artigo no Washington Post, petista afirma que tarifas dos EUA são um "erro estratégico" e que o Brasil não aceitará pressões externas
O presidente Lula (PT) afirmou, em artigo publicado neste domingo, 26, no jornal americano The Washington Post, que o Brasil não aceitará o uso de relações econômicas ou diplomáticas para pressionar o país por razões políticas.
“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras“, escreveu.
O artigo foi publicado após a decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas sobre produtos brasileiros. Lula classificou a medida como um “erro estratégico” e afirmou que ela prejudica tanto a economia americana quanto a relação entre os dois países.
Segundo o petista, o aumento das taxas pode afetar cadeias produtivas dos dois países e encarecer produtos para consumidores dos Estados Unidos.
“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros.”
Lula afirmou ainda que tentou negociar diretamente com o governo de Donald Trump e que o Brasil apresentou argumentos técnicos antes da manutenção das tarifas. Para ele, setores da indústria americana dependem de produtos e insumos brasileiros.
Críticas a sanções e interferência externa
No texto, o presidente também defendeu que a América Latina precisa de parceiros comerciais, e não de sanções econômicas ou demonstrações de força.
“Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência”, afirmou.
O texto foi publicado após a divulgação da notícia de que o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que tinham viagem prevista ao Brasil. Segundo o governo brasileiro, a missão poderia questionar a integridade das eleições. O governo americano, porém, negou que esse fosse o objetivo da visita.
Lula também mencionou no artigo a necessidade de cooperação no combate ao crime organizado e afirmou que os desafios da região devem ser enfrentados com investimentos, comércio e redução da desigualdade, e não com medidas de força.
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Comentários (1)
Marian
26.07.2026 13:13Sim, mas qual é a solução? O que será feito pra resolver? Negar vistos?