Lula defende redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos
Em entrevista à TV Globo, petista comentou sobre a relação com Donald Trump e propostas para segurança pública
O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta, 15, ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
Em entrevista à TV Globo, o petista criticou a proposta da ala da direita de reduzir para 14 anos.
“Enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo, sou a favor de reduzir a maioridade penal. A PEC não estava discutindo isso. A direita tentou apresentar reduzindo para 14 anos, então o Camilo (Santana) para 16. Primeiro você discute a PEC e depois discute a maioridade. Eu acho que a sociedade brasileira inteira é favorável a qualquer crime hediondo”, afirmou.
Relação com Trump
Lula classificou como civilizada sua relação com o presidente americano, Donald Trump, e disse que os dois conseguiram superar as tensões iniciais.
“Minha relação com Trump foi a mais civilizada. Ela começou muito tensa, eu disse ao Trump que dois homens de 80 anos se entendessem e que não era possível as duas maiores democracias do Ocidente ficarem assim”, declarou.
O petista, porém, afirmou que o governo americano é quem deve se preocupar com a batalha tarifária.
“Essa semana meu ministro do Comércio e Relações negociaram. (…) Embora a gente tenha perdido 9%, nós crescemos 20% da China. Com Indonésia, China, Vietnã e crescemos em 50 países. (…) Quem deve estar preocupado conosco é os Estados Unidos. Não fiz a Lei da Reciprocidade. Se for necessário, vamos fazer. Temos mais coisas que eles precisam”, disse.
PCC e CV
Ao comentar a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, Lula afirmou que os Estados Unidos não compreendem a natureza desses grupos.
“Os EUA não entendem. Quando falam de terrorismo, falam de terrorismo de Estado. Aqueles que querem dar golpe de Estado. Não é o caso das facções no Brasil, eles querem dinheiro. O PCC e CV são terroristas para a comunidade brasileira, mas não é para eles. (…) Nós aprovamos a lei antifacção, que aumenta a pena”, afirmou.
Segurança pública
Questionado sobre a criminalidade no país, Lula afirmou:
“A Constituição nunca permitiu a União se meter. Eu vou me meter. Para os bandidos, a gente vai querer prisão. Vamos definir o papel da União na segurança pública, porque os estados não tiveram competência de resolver”, declarou.
Lula disse ainda que, após a aprovação da PEC da Segurança Pública, pretende definir as atribuições do ministério e ampliar a construção de presídios federais de segurança máxima.
“Aprovada a PEC da Segurança Pública, vou definir o ministério, definir o papel e vamos financiar 138 presídios de segurança máxima financiados pelo governo federal para que os bandidos continuem bandidos na cadeia. Nós precisamos de segurança. Queremos asfixiar o crime organizado”, afirmou.
Congresso e rejeição
Lula afirmou que seu governo conseguiu aprovar a maior parte das propostas enviadas ao Congresso e destacou a participação de diferentes partidos na base governista.
“Nós aprovamos 99% do que fizemos no Congresso. Mais importante, todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo. O PP, o União Brasil, o PSD participou, o MDB. Tivemos grande participação. Se não for assim, você não governa. Aprovamos 99% de tudo.”
O petista também comentou sobre sua alta taxa de rejeição ao final de seu mandato.
“Tudo é responsabilidade minha. (…) Quando povo votou em mim, foi de olho no final do meu último mandato em 2010. A situação hoje é adversa. Passamos dois anos tentando recuperar esse país. A economia, você lembra, tivemos que fazer uma PEC da transição. (…) Acho que fizemos muita coisa, só lamento não ter a capacidade de fazer o povo compreender. Estou confiante que vou ganhar essa eleição em 25 de outubro”, disse.
Datafolha
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, 15, mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto contra 45% de Lula.
Na pesquisa anterior, Flávio tinha 49%, ante os mesmos 45% do petista. A diferença entre eles era de quatro pontos há uma semana, e agora é de dois pontos.
Os dois candidatos estão em empate técnico dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou menos.
Brancos e nulos somam 6%, enquanto indecisos, 1%.
Considerando os votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 49%.
O Datafolha ouviu 2.520 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 13 e 15 de outubro.
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Comentários (1)
Marian
16.10.2026 09:48Crime é crime senhor, e bandido é bandido. Esse é o país em que se paga auxílio reclusão para a família do criminoso hediondo e a família da vítima que se lasque. Estamos condenados a continuar a ser o paraíso da criminalidade?