Marcola pediu quadro de R$ 100 mil a Roberta Luchsinger?
Defesa do ex-chefe de gabinete de Lula nega recebimento da obra e afirma que mensagem não era uma cobrança de fato
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostram que o ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, teria pedido um quadro avaliado em 100 mil euros à lobista Roberta Luchsinger, segundo o Estadão.
Roberta é investigada por supostamente intermediar interesses de empresários junto ao governo federal.
Em outro trecho da conversa, a lobista informa que a obra estava sendo emoldurada para ser entregue.
Nas mensagens, Roberta pergunta a Marcola se ele havia gostado de um quadro de um artista português.
O ex-chefe de gabinete de Lula responde: “E meu quadro? Kkk”.
Em seguida, a lobista envia uma fotografia da obra e informa que ela estava sendo emoldurada para entrega.
Segundo a investigação da PF, a troca de mensagens é tratada como mais um indício de um suposto pagamento de vantagens indevidas a Marcola.
O que diz a defesa
A defesa do ex-assessor afirma que não teve acesso à íntegra dos autos e alega que o inquérito vem sendo parcialmente vazado “com objetivo de distorcer o próprio teor da investigação”.
Os advogados afirmam que “nunca houve recebimento de obra de arte ou objetos de valor” por parte de Marco Aurélio.
A defesa sustenta ainda que a própria mensagem, seguida da expressão “kkk”, demonstra que “não se trata de uma cobrança de fato” e conclui que o ex-chefe de gabinete “jamais recebeu o referido quadro ou qualquer outro”.
Os advogados também afirmam que Marcola “nunca intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações públicas”.
Marcola e Roberta
Marcola é investigado pela Polícia Federal em uma apuração que também envolve Roberta Luchsinger e Lulinha. A PF busca esclarecer a relação entre os três e possíveis conexões com Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no esquema de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários.
Uma das linhas de investigação apura se houve articulação para a compra de medicamentos à base de cannabis sem licitação. Em uma conversa localizada pelos investigadores, Luchsinger teria enviado a Marcola um modelo de contrato relacionado a esse tipo de aquisição pelo Ministério da Saúde.
A PF também identificou uma mensagem segundo a qual Luchsinger teria comprado joias de diamante avaliadas em 9,2 mil reais para Ribeiro.
O episódio integra uma das três investigações abertas no Supremo Tribunal Federal (STF) que têm Lulinha entre os alvos. As apurações analisam suspeitas relacionadas a corrupção e tráfico de influência.
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Comentários (1)
Andre Luis Dos Santos
21.08.2026 23:45E quase pueril a defesa dizer que o "kkk" "demonstra que não se trata de uma cobrança de fato".