Maristela Basso na Crusoé: A elegância perdida da política
Quando a linguagem deixa de reconhecer limites, o poder logo passa a acreditar que também não os possui
Na última semana, uma senadora paraguaia voltou ao centro das atenções ao dirigir novas ofensas ao jogador francês Kylian Mbappé.
O episódio ganhou repercussão internacional não apenas pelo conteúdo das palavras, mas pelo fato de terem sido pronunciadas por alguém investido de um mandato parlamentar.
À primeira vista, trata-se apenas de mais um excesso das redes sociais. Não é.
O episódio revela uma transformação muito mais profunda: a perda da consciência de que o exercício do poder exige uma linguagem compatível com a dignidade do cargo.
Durante muito tempo, acreditamos que elegância era um atributo secundário da política. Algo ligado ao protocolo, às boas maneiras ou à educação doméstica. Em tempos de polarização, dizia-se, o importante seria a autenticidade.
Talvez tenhamos confundido autenticidade com ausência de limites.
A elegância nunca foi mero adorno da democracia. Sempre foi uma das formas invisíveis de domesticação do poder.
Não falo da elegância das roupas, da retórica sofisticada ou dos gestos estudados.
Refiro-me à capacidade de controlar a própria linguagem, de medir as consequências das palavras e de compreender que ocupar uma função pública significa representar algo maior do que a própria personalidade.
Um presidente, um senador, um deputado ou um ministro não falam apenas por si. Falam também em nome da instituição que ocupam.
Por isso, determinadas palavras deixam de ser apenas um direito individual de expressão. Tornam-se um problema institucional.
Observando o debate político brasileiro, chama a atenção a naturalidade com que insultos, deboches, apelidos ofensivos, humilhações públicas e vulgaridades passaram a integrar o repertório dos candidatos à Presidência da República.
O que antes produziria…
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Comentários (1)
Annie
11.07.2026 13:12Elegante na política, a meu ver, só o Temer