Mendonça desiste de evento na Espanha que terá advogado de Vorcaro
Ministro do STF comunicou desistência após ser sorteado relator do caso Master, antes sob responsabilidade de Dias Toffoli
O ministro André Mendonça (foto), do Supremo Tribunal Federal, desistiu de participar do II Congresso Ibero-Brasileiro de Governança Global, que será realizado ainda neste mês na Universidade de Salamanca, na Espanha.
A decisão, segundo O Globo, foi comunicada aos organizadores do evento após ele ser sorteado relator do caso Master, processo que estava sob responsabilidade de Dias Toffoli.
Até a redistribuição, Mendonça tinha presença confirmada na abertura, no encerramento e em três mesas do evento.
Uma das mesas seria presidida pelo advogado Igor Tamasauskas, sócio do Bottini & Tamasauskas Advogados, escritório que defende o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que apoia o Instituto Brasileiro de Direito Legislativo (IBDL), organizador do congresso.
Dias antes, o ministro Luiz Fux também cancelou sua participação após questionamentos.
O STF informou que não houve pagamento pelas palestras e que as despesas seriam custeadas pela organização ou de forma particular, sem custos para a Corte.
O evento terá a presença de ministros do STJ e do TST, além de ex-integrantes do STF como Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, citados no caso Master em razão de contrato de seu escritório com o banco.
Leia também: Lewandowski é alvo de representação sobre contrato com Master
Mendonça assume inquérito do Master
André Mendonça foi sorteado na última quinta-feira, 12, como novo relator do inquérito que investiga suspeitas de fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master.
A redistribuição ocorreu após o ministro Dias Toffoli pedir para deixar a condução do caso no mesmo dia, depois de reunião convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Toffoli estava à frente da investigação desde novembro de 2025. A saída foi motivada por relatório da Polícia Federal que apontou menções ao ministro em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do banco. O conteúdo dessas mensagens permanece sob segredo de Justiça.
A reunião entre os ministros durou cerca de três horas e teve como objetivo apresentar formalmente o relatório da PF e discutir os desdobramentos institucionais do caso.
Durante o encontro, Toffoli inicialmente defendeu permanecer na relatoria, mas acabou concordando com a saída diante da repercussão pública.
Em nota oficial, os integrantes do STF manifestaram apoio ao ministro e afirmaram que não havia elementos jurídicos que configurassem impedimento ou suspeição. A Corte também declarou válidos todos os atos praticados por Toffoli enquanto esteve à frente do inquérito, garantindo a continuidade das investigações sem anulação de provas.
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Comentários (3)
Ita
14.02.2026 10:40Bom, a desistência pelo menos são atitudes, que nos parece, reativas e salutar para os envolvidos e o STF, principalmente, neste momento. Será que vai pegar?.... e os outros???
Denise Pereira da Silva
14.02.2026 08:28Quanta lama nos tribunais superiores desse país pantanoso.
Esse STF vive de mentiras e muita, muita festa. 🥳