PF apontou risco de evasão de Lulinha do país
Relatório enviado ao STF cita mudança ao exterior em meio a apuração sobre fraudes no INSS
A Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a existência de risco de evasão do país por parte de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em meio ao avanço das investigações sobre fraudes no INSS. A avaliação consta de relatório encaminhado à Corte, no qual investigadores registram preocupação com uma eventual mudança do empresário para o exterior durante o andamento da apuração.
Segundo o Estadão, a suspeita surgiu a partir da análise de informações reunidas pela PF que indicavam a possibilidade de Lulinha transferir residência para fora do Brasil enquanto o inquérito ainda estava em estágio inicial. Para os investigadores, a movimentação levantou alerta por ocorrer em um momento considerado sensível das investigações.
De acordo com o jornal, o relatório foi encaminhado ao STF no âmbito de pedidos de medidas cautelares. A Polícia Federal avaliou que uma eventual saída do país poderia dificultar o avanço das diligências, sobretudo na coleta de provas e no acompanhamento de eventuais movimentações financeiras e patrimoniais relacionadas ao caso. A corporação também considerou que a mudança ao exterior poderia representar um obstáculo à aplicação da lei penal, caso surgissem elementos mais robustos ao longo da apuração. Por isso, o risco de evasão passou a integrar a análise dos investigadores ao tratar da condução do inquérito.
Ainda conforme o Estadão, a preocupação foi registrada em meio ao avanço das investigações sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O caso envolve entidades e operadores suspeitos de realizar cobranças irregulares diretamente nos benefícios de segurados, com movimentação de valores expressivos. Os investigadores apontam que o momento em que surgiram os indícios de possível mudança ao exterior coincidiu com o aprofundamento da apuração, quando novas informações passaram a indicar a dimensão do esquema.
Apesar das menções no relatório, Lulinha não foi formalmente acusado de crime até o momento. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade e afirma que ele não possui ligação com as fraudes investigadas.
Na mira
O advogado de Fábio Luís Lula da Silva admitiu, nesta segunda-feira, 16, que o empresário viajou a Portugal ao lado de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema. Segundo a defesa, a viagem teve caráter empresarial e não teria relação com as investigações, versão que contrasta com o contexto em que o lobista é citado nas apurações.
“Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal”, disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho em entrevista ao GloboNews Mais.
Levantamentos sobre a movimentação financeira de Lulinha também passaram a integrar o foco das investigações. Dados analisados indicam que o empresário movimentou valores elevados nos últimos anos, o que levou investigadores e parlamentares da CPMI do INSS a buscarem eventuais conexões entre esses recursos e operadores do esquema.Uma conta bancária pessoal de Lulinha, registrou movimentação de R$ 19,3 milhões entre 2022 e 2025.
Do total transacionado, metade – R$ 9,66 milhões – corresponde a valores creditados na conta. A outra metade foi transferida para contas de terceiros. O maior volume de movimentação ocorreu em 2024, quando R$ 7,2 milhões circularam pela conta. Em 2025, o montante recuou para R$ 3,3 milhões. Até 30 de janeiro de 2026, as transações somavam R$ 205.455,96.
No âmbito das medidas discutidas no inquérito, um conjunto de pedidos reunido por parlamentares incluiu a solicitação de prisão preventiva de investigados, entre eles Lulinha. O chamado “superpedido” foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e passou a integrar a análise sobre a adoção de medidas cautelares no caso.
Em decisão posterior, o ministro do STF, Flávio Dino, suspendeu a quebra de sigilos bancário e fiscal determinada pela CPMI do INSS. A medida atingiu diretamente alvos da investigação, incluindo Lulinha, ao considerar a necessidade de fundamentação individualizada para esse tipo de providência.
Leia mais: Advogado admite viagem de Lulinha a Portugal com Careca do INSS
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Comentários (1)
Daí vem um luloafetivoe diz “quero provas! Onde estão as provas!”. Haja paciência para aguentar.