PF vê semelhanças entre caso Jaques Wagner e propina no BRB
Investigação aponta que apartamento ligado a senador petista seguiu padrão semelhante ao identificado em apurações envolvendo Paulo Henrique Costa
A investigação da Polícia Federal que apura supostos pagamentos de propina envolvendo o Banco Master aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões destinado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) teria seguido um modelo semelhante ao identificado em operações relacionadas ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, diz o Estadão.
Segundo os investigadores, a estrutura envolveria fundos de investimento ligados à gestora Reag e empresas usadas para intermediar a aquisição de imóveis.
No caso citado, o apartamento em Salvador teria sido viabilizado por meio desse circuito financeiro, com participação de operadores ligados ao grupo investigado.
A PF afirma que o mesmo operador teria atuado nas duas frentes. Trata-se do advogado Daniel Monteiro, que também foi preso em fase anterior da investigação.
Leia mais: PF vê apartamento de R$ 2,4 mi em Salvador como propina para Jaques Wagner
No episódio ligado ao BRB, ele teria operado a pedido de Daniel Vorcaro, envolvendo a compra de diversos imóveis em valores elevados.
O mecanismo
Em um dos trechos do relatório, a Polícia Federal descreve o mecanismo investigado:
“O fluxo financeiro utilizado para mascarar a origem dos recursos e o beneficiário da compra do imóvel ocorre com sistemática muito semelhante à adotada na propina paga ao então presidente do BRB, PAULO HENRIQUE COSTA: o dinheiro transita por fundos de investimento, para ao final aportar em pessoa jurídica de fachada, registrada em nome de laranja e criada exclusivamente para esta finalidade. A empresa, formalmente constituída como S.A. ou SPE (modalidades que facilitam a ocultação do beneficiário final), adquire formalmente o imóvel, que na prática é o objeto constitutivo da vantagem indevida.”
Intermediário de Lula?
Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro mencionam o senador Jaques Wagner como um intermediário para enviar recado ao presidente Lula (PT).
A conversa foi trocada em 17 de julho de 2024 entre Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master.
No diálogo, o ex-banqueiro comemora a informação de que estaria sendo visto como alguém próximo ao governo federal, em comparação aos empresários Joesley e Wesley Batista, controladores da J&F.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou na última quinta-feira uma nova fase da operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, buscou-se cumprir 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca foi o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quando em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
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