Professor de direito é preso por abuso sexual de menores no Rio
Acusado usava projeto de assistência jurídica para se aproximar de vítimas em situação de vulnerabilidade
Um professor de direito penal foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por crimes sexuais contra crianças e adolescentes praticados entre 2020 e 2025 no bairro do Grajaú, zona norte da capital.
Cordovil Antonio Nogueira Martins, 78 anos, está detido desde março e responde por estupro de vulnerável, exploração sexual e produção e divulgação de material pornográfico envolvendo menores.
Aliciamento por meio de assistência jurídica
As investigações apontam que o professor se utilizava de sua posição em um Núcleo de Prática Jurídica para estabelecer contato com famílias atendidas por um programa de assistência gratuita.
Segundo a Polícia Civil, ele oferecia dinheiro, alimentos, presentes e outras vantagens para se aproximar das vítimas, que tinham entre 10 e 17 anos. Ao menos três delas foram identificadas até o momento. Os encontros ocorriam na residência do acusado, onde imagens e vídeos eram produzidos.
Em depoimento na delegacia, Martins afirmou que as relações eram consensuais e que as vítimas concordaram em ser filmadas. A legislação brasileira, no entanto, define que qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável, sem possibilidade de consentimento válido.
Mais de 8 mil arquivos encontrados nos aparelhos
A prisão temporária ocorreu em 10 de março de 2026, durante operação da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).
A investigação teve início após troca de informações com organismos internacionais sobre armazenamento de conteúdo ilegal em dispositivos eletrônicos ligados ao suspeito.
Nos aparelhos apreendidos, os agentes localizaram mais de 8.000 arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes — volume que, segundo a polícia, pode indicar a existência de outras vítimas ainda não identificadas.
A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio à 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Criança e Adolescente da Capital.
O Ministério Público pediu a conversão da prisão temporária em preventiva, sem prazo definido, e solicitou indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima já identificada. A defesa do professor não se manifestou à Folha até o fechamento desta reportagem.
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Comentários (1)
Professor de Direito? Acabou com a vida das crianças e adolescentes! Quem vai pagar Psiquiatra para acompanhar estas crianças e jovens? O trauma fica para toda a vida!