PT afirma que delação sobre documentário para Lula é peça de propaganda para Flávio
Partido afirmou que denúncias de Daniel Vorcaro fazem parte de uma 'peça de propaganda irresponsável' para beneficiar o filho de Jair Bolsonaro
O PT reagiu à reportagem da revista Veja que associa o banqueiro Daniel Vorcaro a um suposto pagamento de 30 milhões de reais para bancar um filme sobre o presidente Lula.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 9, o partido classificou a publicação como uma “peça eleitoral irresponsável” e afirmou que a reportagem apresenta acusações graves sem provas.
Segundo a legenda, o suposto depoimento de Vorcaro não teria registro na Polícia Federal nem faria parte de uma delação aceita pelo Ministério Público ou pela própria PF. O PT chamou o episódio de “farsa”, disse que a publicação teria o objetivo de interferir no segundo turno da eleição presidencial e que vai acionar a revista judicialmente.
Como mostramos mais cedo, anexos entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR) pela defesa de Daniel Vorcaro, no âmbito das negociações por uma delação premiada, indicam que o ex-controlador do Banco Master teria pago esse dinheiro “por fora” ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário Lula, de Oliver Stone.
Em áudio, o banqueiro contou que o pagamento seria parte das negociações feitas com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para conseguir acesso aos cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo partido.
Segundo Vorcaro, a aproximação do Master com Vaccari Neto ocorreu por intermédio do então CEO do Master, Augusto Lima, e do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.
Na nota oficial, o partido também questiona as motivações de Vorcaro e afirma que as acusações surgem justamente após o atual governo ter determinado medidas contra o Banco Master, incluindo a liquidação da instituição e a prisão de seu controlador.
Para o PT, haveria uma tentativa de “vingança” contra autoridades que atuaram no caso. A legenda também acusa o relato atribuído ao banqueiro de adotar pesos diferentes ao mencionar aliados de direita e integrantes do governo Lula. O partido afirma que Vorcaro trataria pagamentos ligados ao bolsonarismo como operações legítimas, enquanto faria acusações contra petistas sem apresentar provas.
Leia na íntegra a nota do PT:
É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista VEJA estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova. A reportagem é uma peça eleitoral irresponsável baseada em outra peça eleitoral: o suposto depoimento de Daniel Vorcaro, construído sobre acusações sem comprovação, com o evidente propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário. Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa.
Foi durante o atual governo que as instituições de controle atuaram para investigar as irregularidades, liquidar o Banco Master e levar seu controlador à prisão. Agora, surgem acusações contra as autoridades que enfrentaram suas irregularidades. Trata-se de uma tentativa de vingança que levanta uma pergunta inevitável: que benefícios Vorcaro espera obter de uma eventual mudança de governo? Vários fatos comprovam que há uma grande armação em andamento contra os interesses do povo brasileiro.
A contradição do relato é gritante. Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como “patrocínio normal”, enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações. A narrativa tenta proteger Flávio Bolsonaro, citado em investigações sobre ligações e pedidos milionários ao banqueiro. Uma farsa com objetivos eleitorais.
A própria VEJA reconhece que a Procuradoria-Geral da República não deu prosseguimento às acusações por falta de provas. Mesmo assim, transforma uma mentira em capa da revista.
Não aceitaremos que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral. As medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação dessas informações.
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Comentários (1)
Ita
09.10.2026 11:41Dado o histórico do partido, não se pode duvidar, em principio, da veracidade dos fatos.