Roberto Ellery na Crusoé: Tanta bondade chega a ser maldade
Políticas que incentivam o mau uso do capital têm o potencial de reduzir o crescimento potencial da economia brasileira
Com a eliminação da Seleção Brasileira, o debate volta a girar em torno das eleições de outubro.
Mais uma eleição, mais um pacote de bondades do governo de plantão.
Entre isenções de impostos, linhas de crédito subsidiadas ou facilitadas e programas de água e luz “para o povo”, sempre “o povo”, são mais de 200 bilhões de reais comprometidos.
No curto prazo, o governo espera que essas medidas estimulem a demanda agregada, seja por consumo ou por investimento, gerando emprego e renda, o tipo de resultado que costuma ajudar nas eleições.
O problema surge logo: o aquecimento da demanda pressiona a inflação e pode atrapalhar o Banco Central na redução dos juros.
Pior ainda, a expansão fiscal eleva a dívida pública, já em patamar elevado, o que tende a aumentar os juros de longo prazo e desestimular o investimento privado.
Parte do investimento adicional criado pelo pacote é neutralizada pela queda do investimento privado provocada pela alta do custo do crédito.
Esse é o clássico efeito de crowding-out, ou efeito de deslocamento, bem conhecido dos estudantes de macroeconomia.
Mas o quadro fica mais grave quando se olha a qualidade dos investimentos estimulados.
O pacote inclui programas de crédito para aquisição de ônibus e caminhões, política cujos riscos ficaram evidentes no governo Dilma.
O mecanismo principal é a antecipação artificial de investimentos. Imagine um caminhão comprado em 2010 que, segundo os cálculos do proprietário, deveria ser substituído apenas em 2030.
Com crédito barato…
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Comentários (1)
Marian
19.07.2026 11:42Sim, pura maldade consciente. E com isso tudo, estamos atraindo o quê ? Aquilo que outros países estão banindo não é ? Pensemos.